Luanda, 23 out (Lusa) - O primeiro-ministro do governo de Unidade Nacional do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, foi aconselhado nesta sexta-feira pelo presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a prosseguir a "via do diálogo" para a resolução dos problemas políticos naquele país.
No final do encontro, Tsvangirai disse que foi a Luanda para pedir ajuda ao líder angolano para conseguir alcançar os progressos políticos no seu país.
"O encontro incidiu sobre a situação no Zimbábue, principalmente a crise que eclodiu recentemente", disse Tsvangirai.
De acordo o premiê, o país africano enfrenta um problema de transição, por isso recorreu a quem já passou pela mesma situação, no sentido de colher a suas experiências.
"Trata-se de um problema de transição e todos os países que já passaram por transição sabem o que é isto. Os presidentes Joseph Kabila e José Eduardo dos Santos também passaram por transições, desta forma, a sua experiência é muito valiosa para que o processo avance", declarou.
Além disso, Tsvangirai disse estar confiante na ajuda desses países para se encontrar uma solução, para não haver retrocessos.
"Tenho a certeza absoluta que com o seu apoio vamos alcançar o progresso que se pretende", disse o chefe do governo zimbabuano, salientando que José Eduardo dos Santos apelou à calma e negociações para ultrapassar as áreas e momentos críticos.
O dirigente zimbabuano afirmou ainda que seu "temporário" abandono do governo se deve a questões ligadas à falta de confiança.
"Este é um passo para chamarmos atenção, para que o processo não descarrile. Essa retirada não é permanente, é temporária para chamar atenção", frisou.
Na terça-feira, o dirigente zimbabuano acusou, no final da audiência concedida pelo presidente de Moçambique, Armando Guebuza, o chefe de Estado zimbabuano, Robert Mugabe, de "falta de vontade" para a implementação do acordo de partilha do poder.
Tsvangirai disse que o atual governo do Zimbábue é instável e sem credibilidade, cujas relações entre os principais membros do executivo estão de deterioração.
O governo de Unidade Nacional assumiu o poder em fevereiro, após um amplo processo negocial que se seguiu às contestadas eleições de junho do ano passado, marcadas pela violência e que deram vitória à União Nacional Africana - Frente Patriótica (Zanu-FP), de Robert Mugabe.