Cidade da Praia, 25 out (Lusa) - Cerca de 10% das adolescentes de Cabo Verde, entre 15 e 17 anos, deixam a escola por causa da gravidez precoce, revela a socióloga cabo-verdiana Antónia Teixeira.
A socióloga considera que, com esse comportamento, os jovens cabo-verdianos estão mostrando, nessa fase de adolescência, uma curiosa contradição, pelo fato de estarem começando a ter relações sexuais cada vez mais cedo.
"Atualmente, a maternidade antecipada já é a principal causa de evasão escolar de meninas nesta faixa etária. A maioria vem de famílias mais carentes e com uma cultura enraizada e de difícil influência", destaca a socióloga, em declarações à agência de noticias cabo-verdiana
Inforpress.
Após abordar vários alunos e professores de diferentes escolas da capital, chegou à conclusão que, apesar de conhecerem todos os mecanismos de precaução, as jovens deixam-se engravidar conscientes das consequências, havendo algumas que são claras, ao afirmarem que a virgindade "deixou de ser levada a sério".
"A primeira relação sexual surge por volta dos 14 anos e a virgindade é coisa do passado", defendem.
A esse respeito, explicou a socióloga, a gravidez está se tornando "um grande problema na educação", pois a realidade mostra que só existem dois caminhos: anular a matrícula e perder um ano escolar ou abandonar os estudos para cuidar da criança.
"Normalmente, as adolescentes jogam os filhos para os avós criarem e tentam trabalhar para sustentá-los. Muitas deixam a escola e nunca mais voltam. Esta atitude provoca uma geração de pais inexperientes e confusos, cujos filhos se podem transformar em adultos sem referências", adverte António Teixeira.
Entretanto, as escolas, cumprindo diretrizes do Ministério da Educação, negociam com todas as partes envolvidas a melhor forma de recompensar a jovem estudante de forma a não abandonar o sistema educativo.
O caso mais gritante é de uma aluna do primeiro ciclo, de 15 anos, em que a própria mãe veio a uma escola da Cidade da Praia, capital do país, solicitar anulação da matrícula porque a filha, grávida, já se tinha casado com um homem de 25 anos.
"Tratando-se de uma menor, a lei devia agir de outra forma e não permitir o casamento", afirma Antónia Teixeira, que considera que a gravidez na adolescência é um "fenômeno complexo", associado a fatores individuais, familiares, sociais, culturais e educacionais.
"Este fenômeno não se explica por uma única causa ou fator, mas por um conjunto de fatores que influenciam os contextos de vida dos jovens, cujos padrões e regras mudam nas transações que o indivíduo estabelece com o seu meio", conclui.