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26/10/2009 - 11h43

Cavaco Silva pede 'rumo de futuro' a novo governo português

Lisboa, 26 out (Lusa) ? O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, destacou nesta segunda-feira a importância de um Governo minoritário seguir uma "cultura de negociação" e alertou que mais do que reformas, o país precisa de "um rumo de futuro".

"É claro para todos que, neste quadro político, o diálogo e a concentração na procura dos consensos possíveis ganham uma relevância acrescida", afirmou o chefe de Estado no seu discurso na tomada de posse do 18° Governo Constitucional.

Lembrando que a situação de existir um executivo minoritário "não é inédita", Cavaco Silva frisou, no entanto, a necessidade de encontrar compromissos com as outras forças políticas, ouvir os agentes sociais e as organizações da sociedade civil, bem como "estar particularmente atento aos problemas reais que as famílias enfrentam no dia-a-dia".

Por outro lado, acrescentou, "a uma cultura de negociação deve corresponder uma cultura de responsabilidade por parte das diversas forças políticas e dos agentes econômicos e sociais".

"O nosso futuro coletivo é uma responsabilidade de todos e há com certeza vários domínios em que é possível ultrapassar diferenças e fazer obra em comum", salientou.

Já no final da sua intervenção, que teve uma duração de cerca de 15 minutos, o chefe de Estado deixou ainda um alerta, considerando que "o país precisa de um rumo de futuro".

"O país precisa de reformas, sem dúvida. Mas, mais do que reformas, o país precisa de um rumo de futuro. Traçar uma linha de rumo que una os portugueses", disse, insistindo na necessidade de vencer o desânimo e a descrença e estimular a confiança.

O presidente português reconheceu, contudo, que "é difícil a tarefa que o 18° Governo Constitucional tem pela frente", pois além de procurar entendimentos que permitam a governação doa país e vencer "as adversidades que são comuns e normais" em executivos minoritários, terá também de enfrentar problemas econômicos e sociais complexos.

Por isso, frisou, o governo que agora toma posse e que "tem plena legitimidade constitucional para governar" deverá dar particular atenção ao desemprego e ao endividamento externo.

Cavaco Silva defendeu, por isso, que o país exige "uma política social ativa", reiterando que com o atual nível de desemprego do país, "os portugueses compreenderiam mal que os agente políticos não concentrassem a sua atenção na resolução dos problemas concretos das pessoas".

Prometendo o seu "empenhamento" na tarefa de traçar um "rumo de futuro", o chefe de Estado renovou a intenção de dar a sua contribuição para os portugueses não "baixarem os braços nesta hora decisiva".

"É grande a responsabilidade de todos no momento atual. É grande, sem dúvida a responsabilidade do novo Governo, mas também das diversas forças políticas e dos agentes econômicos e sociais", frisou, formulando "votos dos maiores sucessos" ao novo Governo.

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