Díli, 26 out (Lusa) - O ministro timorense das Relações Exteriores, Zacarias da Costa, defendeu nesta segunda-feira que o Brasil deve rapidamente integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) como membro permanente.
"Defendemos claramente um lugar para o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro permanente. Toda a comunidade lusófona terá a ganhar com isso e é importante que essa ascensão seja rápida, de forma a trazer benefícios para todos", disse Zacarias da Costa, em declarações à Agência Lusa.
Além disso, o chanceler timorense frisou que "todos os países lusófonos terão a ganhar quanto mais o Brasil for reconhecido como potência mundial e mais aquele país consiga conquistar um lugar fixo".
Para Costa, é importante que as diplomacias dos países lusófonos se unam no objetivo de conseguir que o Brasil venha a desempenhar esse papel, na reforma do Conselho de Segurança da ONU.
"Todos estamos a trabalhar no sentido de o Brasil conseguir, na reforma do Conselho de Segurança, um espaço que é seu, como membro permanente", disse.
O Brasil hoje é um país que, "apesar de distante, está muito próximo" do Timor, segundo as palavras do ministro, que destacou também a ajuda que tem dado ao progresso e desenvolvimento timorense, pelo que saúda "efusivamente a ascensão do Brasil".
As relações bilaterais têm se tornado mais estreitas, segundo Costa: "temos hoje uma relação muito forte e dinâmica com o Brasil".
"O próprio presidente da República, Ramos-Horta, esteve bastante empenhado na candidatura do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos e esteve em Copenhague para promover essa candidatura, além de escrever várias cartas aos membros do Comitê Olímpico", disse.
Segundo ele, estão em preparação importantes iniciativas envolvendo os dois países, a terem lugar no próximo ano, "quer ao nível da aliança das civilizações, quer no contexto da CPLP e de promoção da Língua Portuguesa a nível internacional".
Já quanto a uma eventual posição timoneira do Brasil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Zacarias da Costa discordou: "A CPLP é uma comunidade dos vários países que a constituem e não seria bom que um país só liderasse a CPLP, apesar da sua grandeza econômica e política. Esse espaço deve ser dado a todos".
Além disso, ele recordou que também Angola "é um país que está claramente a elevar-se na influência internacional e não apenas o Brasil", pelo que a CPLP "deve ser sentida e liderada por todos".