Londres, 26 out (Lusa) - O sistema de presidência rotativa impede o aprofundamento das relações da União Europeia (UE) com outros países, afirmou nesta segunda-feira o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, que é favorável à candidatura de Tony Blair para presidente permanente do Conselho Europeu.
"Pode parecer pequeno, mas acredito sinceramente que esta presidência rotativa é o principal inimigo das relações sérias e estratégicas de que a UE precisa com os EUA", afirmou Miliband, durante uma palestra no Instituto Internacional para os Estudos Estratégicos, em Londres.
O ministro disse que "não tem nada a ver com as personalidades das pessoas que lideram as delegações", mas com a necessidade de obter um "nível de respeito merecido".
Miliband apontou o fato de que, em cada cúpula, ser um líder diferente a expor os pontos comuns dos 27 países membros da UE não deixa as relações com os EUA e outros países progredirem.
"Ação externa"Sobre o tema da política externa depois da adoção do Tratado de Lisboa, Miliband disse que o documento "providencia a oportunidade e responsabilidade de repensar e redefinir a ação externa da UE".
Londres continua a defender o poder de veto e a unanimidade nas decisões e nos princípios que vão nortear a política externa comum, mas acredita que um presidente permanente do Conselho Europeu vai simplificar as reuniões bilaterais.
O Tratado de Lisboa "acaba com a duplicação, ao criar um alto representante para as Relações Externas do Conselho dos Estados membros e da Comissão".
Além disso, "garante a continuidade e a consistência ao providenciar uma liderança forte através de um presidente do Conselho Europeu em funções durante no máximo cinco anos, que possa representar a UE em eventos como as cúpulas UE-China e UE-Rússia ao longo desse período".
BlairNo domingo, numa entrevista à
BBC, David Miliband se demitiu do cargo e disse ser favorável à candidatura do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair para o lugar de presidente permanente do Conselho Europeu.
O ministro britânico, que fez parte dos governos de Blair, elogiou o respeito que o atual representante do Quarteto para o Oriente Médio merece dos líderes russos e chineses e a necessidade de uma figura forte para o cargo.
"Penso que seria bom para o Reino Unido e para a Europa se Tony Blair fosse candidato e fosse escolhido", afirmou.
Diferente posição tem o Partido Conservador, que lidera as pesquisas para as eleições legislativas, que deverão ter lugar antes do final de junho de 2009.
O porta-voz para as Relações Exteriores, William Hague, já tornou público que, se os conservadores forem eleitos, vão se opor à escolha de Tony Blair.