Cidade da Praia, 26 out (Lusa) - A Unesco aprovou a criação do Instituto da África Ocidental (IAO), dando-lhe estatuto e caráter internacional, independente e autônomo. Além disso, foi ratificada a decisão de instalar a sede da instituição na Cidade da Praia, capital de Cabo Verde.
A decisão foi adiantada nesta segunda-feira à Agência Lusa pelo pesquisador e antigo ministro cabo-verdiano da Educação Corsino Tolentino, que está coordenando, dentro da chancelaria do arquipélago africano, a organização e logística para a instalação do IAO em Cabo Verde.
A aprovação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) foi tomada no dia 21 deste mês, em Paris, na 35ª reunião do Conselho Executivo da organização, que auspiciará as atividades da IAO.
Segundo Tolentino, a aprovação da Unesco demonstra a importância e o interesse numa instituição que pretende dinamizar a cooperação sub-regional, regional e inter-regional.
O também antigo diretor-geral da Fundação Calouste Gulbenkian afirmou estar tudo pronto para a instalação do instituto, faltando unicamente a ratificação da respectiva criação, cuja proposta de lei apresentada pelo governo deverá ser analisada e votada pelo Parlamento em novembro.
Ao recomendar a assinatura do acordo entre a Unesco e o Governo de Cabo Verde, o Conselho Executivo enfatizou a "importância" da integração regional como "instrumento vital para assegurar a viabilidade do crescimento econômico, da paz e da estabilidade, assim como a consolidação da democracia na África Ocidental", acrescentou.
O governo cabo-verdiano, três organizações e um banco vão permitir a criação do IAO, concebido para servir de ponte na pesquisa sobre políticas públicas, através de uma rede internacional de investigadores, decisores e atores sociais para analisar a problemática também da transformação social.
A iniciativa foi aprovada por unanimidade na cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), realizada em Ouagadougou, em Burkina Faso, em Janeiro de 2008, que aprovou então a proposta de Cabo Verde para acolher a sede do IAO.
Além do governo cabo-verdiano e da CEDEAO, integram a comissão promotora a União Econômica e Monetária da África Ocidental (UEMOA, de que Cabo Verde não faz parte), a Fundação das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e o Ecobank, banco pan-africano de apoio ao desenvolvimento.