Bruxelas, 27 out (Lusa) - O primeiro Relatório Europeu sobre o Desenvolvimento, divulgado em Bruxelas nesta terça-feira, faz um alerta para a necessidade de os países doadores manterem os níveis de ajuda aos países necessitados, apesar da crise, considerando necessário evitar cortes como em recessões anteriores.
O relatório, lançado dentro da quarta edição dos Dias Europeus do Desenvolvimento, iniciativa que acontece em Estocolmo, foi elaborado por vários especialistas europeus, que se concentraram principalmente nos impactos que a crise econômica pode ter nos países "frágeis" da África subsaariana, casos de Angola, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe.
A equipe que elaborou este relatório independente, sob a direção do Instituto Universitário Europeu de Florença, adverte que "se os países doadores se comportarem como o fizeram em recessões anteriores, os Estados frágeis poderão ter de enfrentar uma diminuição no fluxo de ajudas, que poderiam sofrer uma redução de 22 bilhões de euros em 2009".
"A maior parte dos países da África subsaariana ficariam expostos a uma redução entre os 15 e 20%. Este cenário tem imperiosamente de ser evitado", indica o relatório, que exorta assim os países doadores a cumprirem as suas promessas de ajuda.
O comissário europeu responsável pelo Desenvolvimento, Karel De Gucht, comentou que o relatório mostra a necessidade de não se esquecer os países em desenvolvimento, em um momento em que as economias começam a emergir da crise em que mergulharam.
"Aqueles [países] em situação de fragilidade estão mais sujeitos aos efeitos da crise econômica e sentirão os seus efeitos durante muito tempo, bem depois de outros países terem recuperado", disse.
A União Europeia é responsável por mais de metade da ajuda humanitária em nível mundial e, segundo um inquérito divulgado recentemente, uma grande maioria dos cidadãos europeus considera que a UE deve honrar os seus compromissos em relação aos países em desenvolvimento, apesar da atual recessão econômica.