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28/10/2009 - 14h30

Moçambicana experimenta emoção de votar pela 1ª vez

Por Paulo Machicane, da Agência Lusa

Maputo, 28 out (Lusa) - Esta quarta-feira é um dia de grandes decisões em Moçambique, mas também de grandes emoções. António, 25 anos, vive a emoção de ter sido o primeiro a votar e Catarina, 19 anos, a de ter participado do processo pela primeira vez.

Desafiando o sono, por terça-feira ter ido dormido tarde, e apesar da tolerância de ponto que o governo deu para que na todos fossem votar hoje, António Fumo acordou às 5 horas.

Ele foi o primeiro a chegar à zona eleitoral da Escola Primária Completa da Polana Caniço, um dos bairros mais populosos dos subúrbios da capital Maputo, tendo votado logo na abertura das urnas, às 7 horas.

"Sinto-me muito emocionado por ter sido o primeiro a votar. Está lá escrito que fui o primeiro. Se viesse mais tarde, talvez tivesse desistido da bicha, porque há muito calor e está mais cheio de gente", conta António Fumo à Agência Lusa.

Ter sido o primeiro a votar deu tempo a António Fumo para se refrescar com "uma cervejinha" no bar ao lado do local de votação, mas afasta-se sempre para vir contar aos jornalistas que entram no local que foi o primeiro a molhar o dedo com a tinta indelével - a garantia de que não vai votar mais que uma vez.

O mesmo sentimento, mas por razões diferentes, é vivido por Catarina Ngwenha, 19 anos, que ficou duas horas na fila para escolher o próximo presidente e deputados da Assembleia da República.

"Estou emocionada e aliviada porque já estava à espera deste momento há muito tempo. Acho que o meu voto não vai mudar nada, mas satisfiz o desejo de votar pela primeira vez na vida", disse Ngwenha no meio de uma multidão que resmunga pela longa espera para poder votar e acusa os agentes eleitorais de lentidão no processo.

Os homens entraram em maioria nas urnas nas primeiras horas da manhã, enquanto as mulheres cuidavam dos afazeres de casa, para irem votar mais tarde, já com o "almoço pronto".

"Liguei agora à minha mulher para vir votar, logo que o almoço fique pronto. Ela não podia vir comigo, porque tinha trabalhos cedo", explica Zefanias Cossa, 66 anos, que aguardava pela sua vez de votar numa das oito mesas da assembleia de voto montada no estaleiro da prefeitura de Maputo.

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