Maputo, 28 out (Lusa) - As urnas para as eleições presidenciais, legislativas e provinciais de Moçambique foram fechadas às 18 horas (local) desta quarta-feira, em uma jornada sem graves incidentes e com grande participação de eleitores durante a manhã.
As urnas foram abertas às 7 horas (local), quando muitas pessoas já faziam fila na porta das seções eleitorais. À tarde, porém, a participação popular diminuiu.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) explicou que todas as pessoas que estivessem nas filas na hora do fechamento das urnas poderiam votar, mesmo após as 18 horas, mas destacou que quem chegasse depois já não conseguiria participar do processo.
Os resultados só devem sair dentro de duas semanas.
IncidentesApesar da tranquilidade que reinou durante todo o dia, foram registrados alguns incidentes durante a jornada eleitoral, como troca de cadernos eleitorais ou ausência desta relação, e a expulsão de observadores em um distrito da província de Manica.
Porém, provavelmente estas foram as melhores eleições organizadas dentre os quatro processos eleitorais já realizados.
Segundo o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral de Moçambique (Stae), houve "constrangimentos" em três mesas das províncias da Zambézia, Nampula e Cabo Delgado.
Na Zambézia, no distrito de Pebane, cerca de 400 eleitores ficaram horas sem poder votar porque o helicóptero que devia transportar o material de votação apresentou problemas.
Em Manica um membro do Observatório Eleitoral da África Austral (Eisa, na sigla em inglês) foi preso e espancado, enquanto em Tete, distrito de Changara, outro observador foi expulso.
A Associação de Parlamentares Europeus para a África (Awepa) informou que, em 2004, nas últimas eleições registradas, aconteceu um caso idêntico e explicou que, "sem observadores nem delegados de partido presentes, ocorreu um massivo enchimento de urnas".
No fim da tarde desta quarta, a mesma associação informou que algumas seções não abriram por falta de cadernos eleitorais ou por confusão envolvendo a troca dessas listas de votantes, em situação registrada em Maputo, Mucumbura (Tete), Gôndola (Manica), Meconta, Namialo (Nampula), Maringe e Machanga (Sofala), e Cuamba (Niassa).
Uma hora depois do fechamento das urnas ainda havia votação sendo registrada em algumas mesas, enquanto outras estavam praticamente vazias no meio da tarde, como a escola de ensino médio Josina Machel, onde na manhã desta quarta votou o atual presidente, Armando Guebuza, que tenta a reeleição pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
Guebuza, Afonso Dhlakama (Resistência Nacional Moçambicana, da oposição) e Daviz Simango (Movimento Democrático de Moçambique), os três candidatos à Presidência, pediram voto da população e afirmaram estar confiantes na vitória.
Segundo Dhlakama, sem fraudes ele já poderia estar preparando governo.
Durante todo o dia, as opiniões de partidos, dos responsáveis do STAE e da CNE e de observadores internacionais foram as de que as eleições ocorreram bem, de forma geral.
No final da tarde teve início a apuração dos votos em todo o país, em muitas mesas com o auxílio de candeeiros a pilhas, distribuídos especialmente para a ocasião.