Lisboa, 29 out (Lusa) - Cinco projetos de escolas criados por arquitetos portugueses para países africanos lusófonos vão representar Portugal na 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que começa sábado e ocorre até 6 de dezembro.
O tema proposto este ano pela organização do evento dá pelo nome de "ECOS Urbanos", e a primeira palavra é uma sigla formada pelas primeiras letras dos conceitos de Espacialidade, Conectividade, Originalidade e Sustentabilidade, quatro eixos que norteiam o conceito traçado pelo curador geral, o arquiteto brasileiro Bruno Roberto Padovano.
Em Portugal, a representação oficial portuguesa é da responsabilidade da Direção-Geral das Artes (DGA), organismo tutelado pelo Ministério da Cultura, que lançou ao arquiteto Manuel Graça Dias o desafio de criar um projeto de uma escola-tipo que pudesse ser mais tarde construído em países africanos.
Em declarações à Agência Lusa em setembro, quando o projeto foi publicamente apresentado em Lisboa, o comissário da representação oficial portuguesa explicou que a ideia foi "criar algo durável no tempo e que ficasse para além da Bienal" de Arquitetura de São Paulo.
"Para que não fosse um projeto arquitetônico standard, propus que fossem criados cinco projetos diferentes, adaptados às características de cada país africano", explicou.
Tendo em mente as características do conceito, Manuel Graça Dias formou uma equipe com seis arquitetos portugueses da mesma geração - todos nascidos ao longo da década de sessenta - e com alguma experiência em projetos semelhantes.
O que a representação portuguesa vai levar à Bienal de Arquitetura de São Paulo "são cinco maquetes bastante expressivas de um projeto que não se esgota ali, continua, e entrará numa segunda fase, esperamos, com a construção efetiva das escolas" em Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Angola.
Inês Lobo é a autora do projeto de escola em Achada na Fazenda, em Cabo Verde, Pedro Maurício Borges criou uma para Cacheu, na Guiné-Bissau, Pedro Reis desenhou a de Santa Catarina, em São Tomé e Príncipe, Jorge Figueira criou a de Benguela, em Angola, e a dupla de arquitetos Pedro Ravara e Nuno Vidigal criaram a da Vila do Milénio, em Moçambique.
Na sequência de contatos feitos pela DGA, foram envolvidos no projeto embaixadores dos países africanos escolhidos e responsáveis dos ministérios da Educação, que indicaram situações reais.
O percurso dos arquitetos nos cinco países africanos, os contatos estabelecidos com as populações e entidades locais foi fotografado e será também levado para exposição na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.
No decurso da Bienal de São Paulo, os arquitetos portugueses vão participar em workshops sobre os projetos da representação oficial de Portugal.