Johannesburgo, 29 out (Lusa) - Representantes da cúpula de Política e Segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) estão reunidos nesta quinta-feira em Harare, capital zimbabuana, numa missão de avaliação da crise política no governo do Zimbábue.
A missão é chefiada pelo ministro moçambicano das Relações Exteriores, Oldemiro Balói. Além disso, o grupo pretende avaliar "in loco" a situação decorrente da recusa do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai em participar no governo de unidade nacional até que o presidente da República e líder da Zanu-Frente Patriótica (Z-FP), Robert Mugabe, aceite substituir o governador do banco central e outros altos funcionários por membros do MDC.
Tsvangirai, que visitou na semana passada os presidentes da África do Sul, Moçambique e Angola, queixa-se de que Mugabe - seu parceiro no governo de unidade nacional e com quem assinou um Acordo Político Global (APG) de partilha do poder -, não está cumprindo o acordo. Além disso, forças policiais e militares controladas por Mugabe estariam perseguindo e agredindo vários membros e militantes do MDC.
Os políticos deram início à sua missão na noite de quarta-feira com um encontro com o primeiro-ministro adjunto e líder da menor facção do MDC, Arthur Mutambara, e tem hoje previstos encontros com Robert Mugabe, com Morgan Tsvangirai e outros dirigentes.
A delegação da SADC, que deverá elaborar um relatório para a presidência da organização sobre a situação, integra também o secretário-executivo da SADC, Tomaz Salomão, os vice-ministros do Exterior da Zâmbia, Fashion Phiri, e da Suazilândia, Monjaku Gumbu, e dois mediadores sul-africanos.
Uma fonte diplomática em Harare, que pediu o anonimato, disse à Agência Lusa que os próximos passos da SADC para resolver o impasse político são ainda pouco claros, embora seja de esperar que na semana que vem a presidência da organização regional se desloque à capital zimbabuana para contatos diretos com Robert Mugabe e Tsvangirai.
ProibiçãoEntretanto, o relator especial das Nações Unidas sobre tortura, Manfred Nowak, chegou a Johannesburgo proveniente de Harare após ter sido forçado a pernoitar no aeroporto e a deixar o país pelas forças de segurança.
Visivelmente incomodado, Nowak disse hoje que a polícia e funcionários da Imigração do Zimbábue não lhe permitiram que visitasse Harare por não possuir visto concedido pelo governo e que funcionários do MDC que se dirigiam na noite de ontem para o aeroporto para o receber foram impedidos de entrar no terminal.
O relator especial da ONU para a tortura pretendia visitar o país africano a convite do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai para procurar provas de perseguição política, detenções ilegais e espancamentos de membros do ex-partido da oposição, que é hoje parceiro da coligação governamental embora sem quaisquer poderes nas áreas da defesa e segurança.
"Lamento profundamente que o governo me tenha privado da possibilidade de verificar objetivamente as situações de tortura e tratamento violento descritas pelo primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, que me convidou a visitar o país", declarou Nowak.