UOL Notícias Notícias
 

29/10/2009 - 15h59

Grifes brasileiras elaboram estratégia para mercado francês

Paris, 29 out (Lusa) - Mais de 50 empresas promovem, durante dois dias, no centro de Paris, uma "estratégia de marca" do Brasil na França, destacando as notas da qualidade e do respeito ao meio ambiente.

O 3º Salão do Brasil em Paris teve início nesta quinta-feira em um hotel do centro da capital francesa, perto de algumas das lojas de grife, onde alguns produtos brasileiros famosos já estão disponíveis.

"Temos que reconhecer que o Brasil começou agora a fazer design, porque só agora entendeu a dinâmica da sobrevivência ambiental e da vivência em comunidade", afirmou à Agência Lusa o coordenador do evento, José Luiz de Paula Jr.

Para a maioria dos participantes, o salão é uma oportunidade para dar mais visibilidade a suas marcas no exterior e procurar parceiros de negócios no mercado francês e europeu.

Moda, joalheria, tecnologia, turismo, cosméticos e empresas que comercializam produtos agrícolas estão representados no evento, com artigos que vão desde biojoias da Amazônia até a alta costura paulista, do artesanato até itens de beleza.

Para os organizadores, a marca "Brasil" deve estar associada às preocupações ambientais e sociais.

"O Brasil está aprendendo a administrar os recursos naturais. Os produtos da floresta, que são as biojoias, são hoje um ponto de diferenciação de produtos brasileiros", destacou José Luiz de Paula Jr.

"Sinto que hoje estamos vivendo um grande momento de consciência ambiental e do papel do design", acrescentou.

"A criação de uma marca leva anos, a destruição leva segundos. O que temos que fazer no Brasil é nunca ceder à tentação da facilidade. Não é preciso vender muito. É preciso vender bem", defende o coordenador do evento.

"O Brasil não pode cometer o erro de outros povos, que produziram os seus produtos à custa de questões ambientais ou de trabalho forçado", explicou José Luiz de Paula Jr.

"A nossa visão do momento é criar marcas democráticas", afirmou o principal promotor do Salão do Brasil em Paris.

"A marca significa segregação. Uma pessoa tem uma marca de luxo e acredita que, pelo fato de usar essa marca, pertence a outra classe social. Isso, porém, não pode ser verdade no mundo contemporâneo", destacou o coordenador do salão.

"A marca está restrita a boas práticas, a boas condutas, independentemente de sugerir riqueza, luxo ou qualquer coisa desse nível. Hoje, as marcas de prestígio no Brasil são acessíveis a toda as classes", defendeu José Luiz de Paula Jr.

"Hoje, a empregada doméstica pode usar o mesmo perfume da patroa: a patroa paga de uma vez só com cartão de crédito, a empregada paga em dez vezes", exemplificou o coordenador sobre o contexto das marcas no mercado brasileiro.

Sobre a importância de eventos como o que começou nesta quinta-feira, em Paris, José Luiz de Paula Jr. afirmou que "ser uma potência econômica não quer dizer que se vai ter design desenvolvido".

Ele citou a preocupação do ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov que, "quando assumiu a liderança da União Soviética, fez uma indagação de 'por que um país que foi à Lua não consegue produzir uma batedeira, um liquidificador ou uma geladeira'".

"Quando toda a energia dos cientistas se volta para os cidadãos, o design começa a funcionar", concluiu José Luiz de Paula Jr.

O Salão do Brasil em Paris conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, do Município e da Agência de Desenvolvimento de Paris e de algumas das principais lojas da capital francesa.

Paralelamente ao evento acontece o primeiro dia do Fórum Brasil-França, oportunidade de encontro entre responsáveis políticos dos dois países com agentes econômicos.

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host