Bruxelas, 29 out (Lusa) - Os líderes europeus reunidos em Bruxelas não conseguiram chegar nesta quinta-feira a acordo sobre a ajuda a conceder aos países mais pobres para estes aceitarem reduzir as emissões de gazes nocivos.
Fonte diplomática apontou a Alemanha como o principal responsável pela situação, ao recusar que os 27 avancem com um envelope financeiro antes de os restantes países ricos se pronunciarem sobre a questão.
Os líderes europeus dedicaram a primeira sessão de trabalho da cúpula de Bruxelas a um debate sobre as alterações climáticas e a preparação da Conferência de Copenhague sobre o tema, daqui a seis semanas.
Os 27 estão divididos em três campos.
A presidência sueca defende a necessidade dos europeus liderarem o processo e avançarem com números, no que é apoiado por países como Portugal, Reino Unido e Dinamarca.
A Alemanha, que lidera um grupo onde também se incluem a França e a Itália, defende que os europeus devem aguardar pelas promessas financeiras dos restantes países desenvolvidos.
Os países do Leste, com poucos rendimentos e grandes poluidores, chefiados pela Polônia, estão dispostos a avançar em função das suas capacidades financeiras.
A Comissão Europeia calculou em 100 bilhões de euros anuais, entre 2013 e 2020, a ajuda necessária para que os países mais pobres adotem medidas contra as alterações climáticas.
Deste montante, a UE deverá comparticipar com dois a 15 bilhões de euros anuais, montante a que se soma um envelope de cinco bilhões a sete bilhões para ações imediatas, entre 2010 e 2012.
Os europeus já decidiram reduzir em 20% as emissões de gás com efeito de estufa até 2020, em relação aos níveis de 1990, posicionando-se como líderes mundiais na matéria.
Esta redução poderá chegar aos 30% se os outros países desenvolvidos se comprometerem com objetivos semelhantes e os em desenvolvimento aceitarem fazer a sua parte.
A conferência na capital dinamarquesa, de 7 a 18 de dezembro, visa concluir um acordo que deve entrar em vigor antes de expirar a primeira fase do Protocolo de Quioto, em janeiro de 2013, para travar de forma vinculativa as emissões de dióxido de carbono.