Lisboa, 30 out (Lusa) - "Muito cansaço" e "ambiente de normalidade possível" foi como um diplomata brasileiro descreveu nesta sexta-feira à Agência Lusa a situação na embaixada do Brasil em Tegucicalpa, ainda cercada por militares hondurenhos e onde se encontra refugiado o presidente deposto Manuel Zelaya (foto).
Contatado por telefone a partir de Lisboa, o diplomata Lineu Pupo de Paula, encarregado de negócios da delegação brasileira, afirmou que o cansaço é evidente em uma situação que se arrasta há 37 dias.
"Vivemos com a normalidade possível. Faz 37 dias que as pessoas não saem para ir para casa, então as pessoas estão cansadas. Alguma coisa devia acontecer", defendeu.
Para o diplomata, pelo menos parte dos cerca de 40 seguidores do presidente hondurenho deposto deveriam sair da embaixada. Eles acompanham o líder desde que este decidiu se refugiar na representação brasileira.
"Algumas pessoas têm de sair agora porque não há necessidade de tanta gente nessa situação. As pessoas estão muito cansadas. É um número exagerado, não precisa de tanto", criticou.
Perguntado sobre o acordo firmado na última quinta-feira em Tegucicalpa, no qual o presidente de fato do país, Roberto Micheletti, aceitou que seja o Congresso de Deputados, e não o Supremo Tribunal, que se pronuncie sobre o retorno de Zelaya ao poder, Lineu Pupo de Paula reconheceu que o chefe de Estado deposto seguirá refugiado.
"Vai ficar porque ainda tem um prazo de implementação do acordo e ele preferiu ficar aqui dentro", explicou.
"Agora já está perto do fim. O acordo foi assinado e agora tem que ser implementado, então tem mais um prazo de uma semana, dez dias", acrescentou o diplomata, que confirmou que as forças militares hondurenhas continuam fazendo cerco às instalações diplomáticas brasileiras.
"Sim, senhor, não mudou nada. Não alterou nada, por enquanto", destacou Lineu Pupo de Paula.
Micheletti assumiu o poder após o golpe de Estado que depôs Zelaya, em 28 de junho, na véspera de um referendo organizado pelo então presidente que visava prolongar seu mandato.