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30/10/2009 - 15h47

Futebol é maior elo de luso-descendente com país, diz estudo

Lisboa, 30 out (Lusa) - O futebol é o principal elo dos luso-descendentes com Portugal moderno, e funciona também como espaço de emancipação nos países de acolhimento, revela um estudo sobre o impacto do esporte favorito dos emigrantes.

Segundo Nina Tiesler, pesquisadora que coordena o estudo, os dados já recolhidos no âmbito do projeto "Diasbola" - que começou em 2007 e termina no próximo ano - permitem concluir que, enquanto a participação eleitoral e o interesse pelo ensino da língua diminuem cada vez mais, o interesse por campeonatos de futebol continua "onipresente". "A língua foi um espaço de emancipação, mas para os emigrantes e luso-descendentes hoje é mais o futebol que faz a pátria", considerou a pesquisadora auxiliar do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.

Tiesler acredita que o futebol permite aos emigrantes se ligarem a um Portugal moderno, através de eventos como o Campeonato Europeu de Futebol 2004 ou com figuras como os jogadores Cristiano Ronaldo e Figo.

O projeto "Diasbola", o primeiro estudo comparativo sobre este tema realizado em seis países, pretende verificar o impacto do futebol no cotidiano e na cultura dos emigrantes portugueses e perceber até que ponto o esporte contribui para a percepção e a imagem do Portugal contemporâneo.

A ideia também é validar a hipótese de que, para os emigrantes, o futebol português é mais importante do que o próprio patrimônio cultural e linguístico.

"Já confirmamos essa hipótese e agora estamos a comparar as funções que o futebol tem nos diversos países", explicou a especialista, que ressaltou que, apesar de sua importância, o esporte "não consegue manter os emigrantes exclusivamente portugueses sem abertura ao resto da sociedade".

Os dados preliminares do estudo - coletados por pesquisadores localmente ou através de pesquisas online - são analisados nesta sexta-feira em um workshop em Lisboa que conta com a presença dos investigadores que trabalham no projeto em Brasil, Reino Unido, Alemanha, França, Estados Unidos e Moçambique.

O evento também conta com a participação de Detlev Claussen, professor do Instituto de Sociologia da Universidade de Hannover, na Alemanha, que tem experiência nas áreas de migração e esporte globalizado.

Tiesler explicou que, no que diz respeito à integração nos países de acolhimento, o futebol consegue modificar contextos, contribuindo para "a emancipação das hierarquias sociais" e para a integração dos emigrantes e luso-descendentes.

"Por exemplo, em França, quando um clube português como o Benfica ou o Porto jogam na Liga dos Campeões é garantia de estádios lotados e, se ganharem, os franceses têm respeito pelo futebol, e durante este tempo os emigrantes, que têm um estatuto social bastante subalterno, emancipam-se deste estatuto e sentem-se superiores", afirma.

A pesquisadora destaca também o papel das equipes de futebol amador das comunidades portuguesas - que, muitas vezes, são multiculturais - na ligação com outras comunidades, bem como o potencial desse esporte no diálogo entre gerações de pais e filhos.

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