Lisboa, 30 out (Lusa) - O ex-presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa, afirmou nesta sexta-feira, em tribunal, que nunca foi contatado para obter vantagens em investimentos com contrapartidas para compra de votos parlamentares, no âmbito do escândalo do "Mensalão", no Brasil.
Horta e Costa foi depor como testemunha à 2ª Vara Criminal de Lisboa, no cumprimento de uma carta rogatória das autoridades judiciais brasileiras.
"Nunca fui contatado no sentido de obter vantagens em termos de investimentos contra contrapartidas", afirmou ao juiz Ivo Rosa.
O vice-presidente executivo do BES garantiu que não conhecia os detalhes do processo, à exceção de Marcos Valério - suposto "cérebro" do "Mensalão" -, com quem se reuniu seis vezes em 2004.
Marcos Valério apresentou-se como publicitário da operadora de telecomunicações Teleming Celular, garantindo Horta e Costa que desconhecia que ele tinha ligações ao Partido Trabalhista (PT).
Além disso, Horta e Costa declarou ter apresentado Marcos Valério a António Mexia, antigo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e atual presidente da Energias de Portugal (EDP), que depôs na parte da tarde.
A testemunha negou que as cerca de seis reuniões que teve com Marcos Valério tivessem por objetivo facilitar ajudas para pagamento de dívidas de campanha.
No final dos cerca de 30 minutos de interrogatório, Horta e Costa saiu sorridente e, recusando-se a falar no caso, apenas disse que "correu bem" e que "não foi nada de especial".
A audição de Ricardo Salgado, presidente do BES, está agendada para a próxima sexta-feira.
O caso "Mensalão" estourou há cerca de quatro anos e é um dos mais famosos casos de corrupção no Brasil, onde parlamentares foram acusados de receber dinheiro público em troca de apoio político para o governo Lula.
Entre as acusações envolvendo deputados, senadores e até ministros de Estado, há casos de desvio de dinheiro público, crimes de responsabilidade, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes em concursos públicos.
Contudo, o presidente, que alegou nada saber sobre o esquema, acabou ficando fora das investigações por falta de provas.