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31/10/2009 - 11h53

Comunidade internacional está confiante em acordo climático

Lisboa, 31 out (Lusa) - A comunidade internacional está confiante que conseguirá neste ano um novo compromisso climático global, inspirado nos resultados das várias reuniões preparatórias. Porém, a prova final será na cúpula de Copenhague, onde serão negociados os "ingredientes" políticos do acordo.

A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que acontece entre 7 e 18 de dezembro na capital dinamarquesa, é para muitos a última oportunidade para combater as alterações climáticas e definir os papéis dos vários atores internacionais na luta contra o aquecimento global.

Bangkok, Bonn e Nova York foram algumas das cidades anfitriãs dos trabalhos preparatórios do encontro, onde será "carimbado" o sucessor do Protocolo de Kyoto (1997), que expira em 2012.

Durante vários meses, e apesar de um aparente optimismo, as negociações mantiveram-se em impasse, uma vez que os países desenvolvidos não assumiam compromissos significativos de corte de emissões. Por outro lado, os países pobres e em desenvolvimento recusavam aceitar limites para poluição, alegando que tal prejudicaria o seu desenvolvimento econômico.

Crítica

A reunião de Bonn, em junho, foi marcada pelas críticas, tanto dos países ricos como das nações mais pobres, ao primeiro esboço do novo acordo global.

Entre as propostas que estiveram na mesa de negociações estava a sugestão de que os países ricos dedicassem 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para ajudar os países pobres a lidar com as alterações climáticas.

Além disso, os países ricos avançaram com sugestões para nações pobres desacelerarem as emissões de gases estufa.

Para os Estados Unidos, o texto apresentado inclinava-se a favor dos interesses das nações em desenvolvimento, lamentando naquele momento a ausência de um capítulo no qual estivesse escrito que todos os países teriam de agir contra o fenômeno.

Esta foi a primeira reunião em que foram discutidos documentos formais e não apenas ideias.

Sinal

Três meses mais tarde, em Nova York, a China daria um claro sinal do seu empenho, comprometendo-se a reduzir a importância do carbono no crescimento econômico do país e a desenvolver outras medidas "ambiciosas" para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

O presidente chinês, Hu Jintao, assegurou então que a China ia desenvolver "passos práticos e determinados" para desenvolver a energia nuclear, melhorar a eficiência energética através da aposta nas energias renováveis e reduzir "por uma margem notável" a importância do carbono no crescimento do país.

Jintao ressalvou, no entanto, que não podia ser pedido às nações em desenvolvimento que "assumissem obrigações que ultrapassem o seu estado de desenvolvimento".

A China é atualmente o principal emissor de gases com efeitos de estufa, à frente dos Estados Unidos. Juntos, os dois países são responsáveis por 40% das emissões globais de dióxido de carbono.

De Washington também chegou um discurso mais determinado, com o presidente Barack Obama declarando seu empenhamento contra o aquecimento global.

"A ameaça das mudanças climáticas é séria, é urgente e aumenta. E o tempo que temos para contrariar a maré está a acabar", sublinhou o líder norte-americano.

Lentidão

Apesar das palavras do governante, os EUA têm sido alvo de críticas pela lentidão dos seus orgãos políticos.

Só na semana passada, uma comissão do Senado norte-americano iniciou um conjunto de audições sobre um plano de redução de emissões.

O futuro diploma só deverá ser votado no Senado em 2010, já depois de Copenhague.

Ainda em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, avisou que um fracasso na Dinamarca seria "moralmente indesculpável".

Em Bangkok, numa reunião de duas semanas, os apelos da ONU tiveram como principal alvo os líderes políticos ao mais alto nível, cujo empenho será "absolutamente necessário", segundo a organização internacional.

"A verdade é que se não virmos progressos nos pontos políticos chave (...) será muito difícil que os negociadores prossigam o seu trabalho num clima construtivo", afirmou o secretário executivo da Convenção da ONU sobre as Alterações Climáticas (UNFCC), Yvo de Bóer, na capital tailandesa.

Na sexta-feira, os líderes dos 27 Estados-membros da UE, reunidos em Conselho Europeu, decidiram fixar em 100 bilhões de euros por ano até 2020 o objetivo de ajuda mundial aos países pobres no combate às alterações climáticas.

É com este cenário que a comunidade internacional parte para os cinco dias de negociações em Barcelona, a última reunião preparatória antes da cúpula de Copenhague, que terá como missão final contrariar o aquecimento em curso e todas as catástrofes anunciadas (seca, inundações, subida do nível dos oceanos).

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