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03/11/2009 - 15h38

Portugal lidera 'missão ambiciosa' da Otan contra pirataria

Lisboa, 3 nov (Lusa) - A nova missão da Otan de combate à pirataria ao longo do litoral da Somália, chefiada por Portugal até janeiro, é mais ambiciosa que as anteriores porque tentará envolver a comunidade marítima e os países da região, segundo disse em entrevista à Agência Lusa o contra-almirante José Pereira da Cunha.

O militar fez as declarações por telefone a bordo da fragata "Álvares Cabral", que nesta terça passa pelo Canal do Suez e que, entre 9 de novembro e 25 de janeiro, assumirá o comando da operação Ocean Shield nas águas do Golfo de Áden e da bacia da Somália.

Esta é uma ampla região, que abrange toda a costa leste da Somália, do Chifre da África até as Seichelles, uma das zonas do planeta com maior fluxo marítimo e onde se tem verificado um grande número de ataques de piratas a cargueiros e petroleiros.

A operação inclui quatro navios, entre eles a fragata "Álvares Cabral" - que será o navio-chefe, contendo a bordo cerca de 210 militares -, além duas embarcações norte-americanas e uma italiana, às quais se somará no final do mês uma canadense.

Perguntado pela Lusa sobre como lidar com a impossibilidade de deter os piratas capturados em alto mar, devido à legislação nacional, Pereira da Cunha considera que a questão só poderá ser resolvida em nível político.

"Esse assunto já foi debatido em nível político, quer por Portugal quer pelas outras nações, e estão a ser desenvolvidos esforços no sentido de promover o suporte legal que permita uma política de detenção mais eficaz, não só em nível individual, mas provavelmente em nível de Otan, o que será mais complexo", afirmou.

Quanto ao modo de atuação dos piratas, "difere de uma área para outra", sendo que, em outubro, houve um número muito grande de ataques bem sucedidos na bacia da Somália, ao contrário do que tem acontecido no Golfo de Áden, onde há meses os corsários não conseguem assaltar os navios mercantes, somente pequenas embarcações para servirem de "navios-mãe" para novas ações do tipo.

"Presentemente há uma grande preocupação relativamente à bacia da Somália, há uma melhoria significativa da proteção da marinha mercante no Golfo de Áden, mas para isto contribuem não só o conhecimento e a experiência adquiridos ao longo dos meses nas duas regiões, mas também um pormenor muito importante que condiciona toda esta atividade, que é o ciclo das monções", explicou.

Como a monção de sul terminou em meados de setembro, houve um aumento da atividade da pirataria na bacia da Somália, mas, a partir de meados deste mês, começa a monção de nordeste, cujo vento forte que traz será um importante obstáculo natural à atividade da pirataria no local em dezembro, janeiro e, provavelmente, fevereiro.

Quanto ao Golfo de Áden, devem ocorrer alguns ataques, mas pouco prováveis na parte leste, onde a monção de nordeste se fará sentir mais.

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