Londres, 3 nov (Lusa) - Encontrar Madeleine McCann será "muito difícil" e exigirá "sorte", mas os pais da menina, que desapareceu no Algarve (sul de Portugal) em 2007, dizem que o importante é não desistir, e citam como exemplo o caso de crianças que foram descobertas ao fim de muitos anos.
"Há muitas crianças que foram encontradas ao fim de períodos longos", afirmou nesta terça-feira Gerry McCann, o pai da menina britânica, em entrevista à Agência Lusa por ocasião do lançamento de um novo filme na internet sobre Maddie.
Um caso recente foi o de Jaycee Lee Dugard, encontrada nos Estados Unidos após 18 anos de sequestro. "Claro que é incrivelmente difícil ou é preciso ter sorte", admitiu Gerry McCann, que comparou a campanha e a investigação que a família tem realizado sobre o desparecimento da menina ao "preenchimento dos espaços vazios em um quebra-cabeças".
"Mas estamos a investir muita energia para ter a certeza de que preenchemos esses espaços vazios", disse.
"Mesmo eliminar coisas é importante", disse, por sua vez, Kate McCann, a mãe de Madeleine, ao ser lembrada de que mesmo os detetives particulares contratados pelo casal ainda não descobriram pistas substanciais do destino da criança.
No passado, Kate e Gerry McCann usaram a imprensa e as televisões para divulgar a imagem da menina e tentar obter informações sobre seu paradeiro. Nesta terça, o casal promoveu o lançamento, feito pela polícia britânica, de um filme no portal YouTube destinado a "um cúmplice, membro da família ou vizinho" do responsável pelo sequestro.
O objetivo é difundir o link do filme, de 60 segundos e disponível em oito idiomas, e convencer esta pessoa a fazer o que não fez até agora.
"Esperamos que produza resultados positivos", disse o pai de Maddie.
O filme foi disponibilizado na rede à meia-noite, e às 6h o casal iniciou uma maratona por pelo menos cinco programas nas televisões britânicas.
Em seguida, os pais da menina concederam entrevistas a televisões e jornais portugueses, americanos e alemães, para se assegurarem de que a notícia chegará aos meios de comunicação social tradicionais. Mas o objetivo, destacou Gerry McCann, é que "tenha persistência na internet".
Os pais pediram que o link para o filme seja distribuído por email, colocado nas redes sociais como Facebook e MySpace e divulgado em blogs ou pelo Twitter.
"Pode não funcionar já, pode levar alguns dias, algumas semanas ou alguns meses", admitiu Gerry McCann.
"Se não for bem sucedido, vamos continuar", garantiu.
A ideia partiu da mãe de Maddie, mas foi a polícia quem desenvolveu o filme, conforme o casal explicou à Lusa.
Foi o Centro de Proteção contra a Exploração Infantil Online (Ceop, na sigla em inglês), uma agência policial britânica, quem criou o filme, usando imagens que simulam Madeleine com seis anos e a pele bronzeada.
A intenção foi tentar imaginar como a menina se pareceria hoje, e como seria se vivesse em um país com muito sol.
Participaram da iniciativa agências de outros países, como Austrália, Estados Unidos, Itália e Canadá, assim como a Interpol (polícia internacional) e o Centro Nacional norte-americano para as Crianças Exploradas e Desaparecidas.
"A internet consegue ser poderosa e destruidora, mas queremos usar o seu lado positivo", disse Gerry McCann.