Maputo, 4 nov (Lusa) - A Renamo, partido de oposição moçambicano, apresentou nesta quarta-feira em Maputo o que seriam dez cédulas de voto "pré-votadas" a favor da Frelimo, como prova de que as eleições gerais da semana passada foram "fraudulentas".
As dez cédulas (cinco a favor do candidato presidencial Armando Guebuza e cinco para o seu partido) teriam sido descobertas pelos delegados de candidatura da Renamo na ilha de Moçambique, norte do país, na posse de uma mulher, afirmou o mandatário nacional da Renamo, Saimone Macuiane.
"Estes boletins são um exemplo vivo e testemunham práticas fraudulentas nas eleições gerais de dia 28. Demonstram que houve enchimento de urnas, houve fraude", acusou Macuiane.
As cédulas exibidas pela Renamo como prova de enchimento de urnas são aparentemente idênticas às verdadeiras, ostentando numeração e símbolos dos órgãos eleitorais moçambicanos.
O mandatário nacional da Renamo afirmou que, "como manda a lei", o delegado de candidatura que descobriu a mulher com os "boletins pré-votados" apresentou uma reclamação ao presidente da mesa de voto onde seriam introduzidos os boletins, mas foi "ignorado, espancado e depois detido".
"É estranho que a criminosa que queria encher urnas não tenha sido detida, mas o queixoso acabou espancado e continua detido por causa desse caso", disse Macuiane.
Ainda na Ilha de Moçambique, acusa a Renamo, milhares de eleitores foram impedidos de votar, supostamente para prejudicar o principal partido da oposição, que considera a área um dos seus redutos.
"Os fiscais e delegados de lista foram expulsos ou detidos, para permitir que a votação fosse falseada. Esperamos que os órgãos eleitorais tomem isto em consideração", disse Macuiane.
Para a Renamo, as supostas irregularidades verificadas na Ilha de Moçambique aconteceram também em outros pontos do país, com o objetivo de dar vitória à Frelimo.
A apuração parcial dos resultados das eleições dá ampla vantagem a Armando Guebuza e à Frelimo em relação à rival Renamo e Afonso Dhlakama, que poderão amargar sua pior derrota em eleições gerais.
Além disso, a Renamo já anunciou que não reconhece os resultados eleitorais e o seu líder disse que o país iria arder se for provada a fraude.
Várias organizações nacionais e internacionais já repudiaram as ameaças de uma nova guerra feitas pela Renamo.
Hoje, o Observatório Eleitoral (OE), um grupo de observadores eleitorais moçambicano, apelou à "ponderação e à calma".
"Esperamos que o candidato da Renamo use o máximo possível da sua ponderação, calma e sabedoria porque todo o pronunciamento de um líder tem um significado muito diferente daquele que é feito por um simples cidadão", disse Brazão Mazula, presidente do OE.