São Paulo, 4 nov (Lusa) ? A senadora Maria Serrano, do Mato Grosso, sugeriu nesta quarta-feira mudanças no acordo ortográfico da língua portuguesa, adotado pelo Brasil em janeiro.
A sugestão foi apresentada depois que uma audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, que ouviu críticos do acordo ortográfico.
A senadora, citada pela Agência Senado, defendeu o aprofundamento do debate e o estudo de mudanças no texto da reforma ortográfica pela comissão.
No Brasil, o acordo ortográfico foi adotado em 1° de janeiro deste ano, inicialmente de forma facultativa nos documentos oficiais e nos meios de comunicação.
As mudanças estão sendo adotadas de forma gradual, nos livros escolares, em 2010, tornando-se obrigatórias a partir de 2012.
Na audiência no Senado, o presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, disse que há grande resistência em relação à reforma ortográfica, sobretudo entre escritores portugueses.
Azevedo Filho indicou a existência de problemas como a extinção do trema, que tem uma função ao indicar a pronúncia das palavras, e a manutenção de consoantes mudas, como o c na palavra 'actor'.
"Os portugueses não abrem mão das consoantes mudas, que não têm função, enquanto o trema, que tem função, foi eliminado", afirmou.
A reação dos portugueses à mudança também foi ressaltada pelo representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, Walter Esteves Garcia.
Na opinião de escritores de Portugal, segundo Esteves Garcia, o Brasil está querendo impor uma revisão da língua ao país onde a língua foi criada.
O acordo foi criticado igualmente pelo professor Ernani Pimentel, que lançou o movimento Acordar Melhor, destinado a aperfeiçoar a reforma ortográfica.
O professor disse que as mudanças começaram a ser debatidas em 1975, quando ainda nem existia a internet, mas sem uma "discussão democrática e aberta".