Maputo, 5 nov (Lusa) - Onze organizações da sociedade civil do Zimbábue enviaram nesta quinta-feira uma carta aberta à cúpula extraordinária que se realiza em Maputo sobre o país, pedindo o debate dos atentados à lei, tortura e detenções arbitrárias.
Numa carta com cinco pontos, as entidades se voltam contra a "contínua politização e militarização dos serviços públicos", detenções ilegais, raptos, tortura, invasões de propriedade e ataques violentos contra pessoas.
A nomeação do Procurador Geral e do presidente do Banco Central devia ser feita mediante acordo do governo de unidade zimbabuano. Porém, esses cargos continuam a ser "preenchidos unilateralmente pela ZANU-FP" (partido de Robert Mugabe), diz a carta, que denuncia a repressão da liberdade de expressão no Zimbábue e a campanha de desinformação feita pelos veículos estatais.
As organizações consideram também ser necessário "estabelecer um novo mecanismo independente de monitorização do acordo global", ente a ZANU-PF e o MDC, partido do primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai.
Além disso, o documento pede que a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que organiza a cúpula, não admita que o país saia do Tribunal da organização, como é pretensão do ministro zimbabuano da Justiça, Patrick Chinamasa.
No final da carta, lembram à SADC as responsabilidades que possui no acordo global, no governo de unidade do Zimbábue e na assistência ao povo zimbabuano para uma saída da crise.
PreocupaçãoAs organizações afirmam-se preocupadas com o não cumprimento das obrigações por parte da ZANU-PF e lamentam que uma comissão da SADC, que visitou o país no final de outubro, não se tenha reunido com a sociedade civil.
Os membros do MDC (Movimento para a Mudança Democrática), do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, não assistem há cerca de três semanas às reuniões do governo, deixando sozinhos os responsáveis da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), do presidente Mugabe.
Tsvangirai acusa Mugabe de violar o Pacto Político Global, que permitiu a formação de um governo de unidade em fevereiro deste ano. Além disso, o premiê diz que a ZANU-FP está perseguindo membros do MDC através dos órgãos policiais e judiciais.
A SADC convocou para hoje em Maputo, capital moçambicana, uma cúpula extraordinária, com a presença de Mugabe e Tsvangirai. A reunião é presidida pelo presidente de Moçambique, Armando Guebuza, que dirige atualmente preside a SADC para os assuntos da cooperação, política, defesa e segurança.
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, também participa.