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06/11/2009 - 14h41

Presidente do BES nega ter sido procurado para ajudar o PT

Lisboa, 6 nov (Lusa) - O presidente do Banco Espírito Santo (BES, que tem o Bradesco como um dos acionistas), Ricardo Salgado, foi ouvido nesta sexta-feira como testemunha do caso Mensalão, e garantiu ao juiz que o Grupo Espírito Santo (GES) nunca foi procurado para financiar o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Não fui contatado", disse Salgado ao ser perguntado sobre se tinha sido abordado pela cúpula do PT.

"Estive com alguns desses senhores em algumas cerimônias, mas não houve absolutamente nada", acrescentou.

O presidente do BES disse que só se encontrou com o publicitário Marcos Valério uma vez, mas nunca fechou qualquer contrato com a firma do empresário.

"Foram-nos propostos serviços de marketing e comunicação, mas não houve mais nada", afirmou.

"Recomendei que Marcos Valério falasse com o meu primo, Ricardo Espírito Santo, presidente-executivo do BES Brasil, não com a intenção de qualquer vantagem, mas para explicar o programa de desenvolvimento na área turística", explicou.

Salgado explicou ainda ao juiz que o encontro entre o GES e o governo Lula serviu para debater os projetos do grupo para o Brasil.

"O governo de Lula da Silva tinha entrado há pouco tempo e o grupo Espírito Santo foi dar explicação das atividades que desenvolve no Brasil, quer na área financeira, através do banco de investimento, quer na área não financeira, através de projetos turísticos", afirmou.

O dirigente do BES foi ouvido nesta sexta-feira na 2ª Vara Criminal de Lisboa como testemunha no caso Mensalão, no cumprimento de uma carta rogatória das autoridades judiciais brasileiras.

Miguel Horta e Costa, ex-presidente da Portugal Telecom e atual vice-presidente-executivo do BES Investimento, e António Mexia, ex-ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e atual presidente da Energias de Portugal (EDP), foram ouvidos no dia 30 de outubro no mesmo tribunal, também como testemunhas.

O caso Mensalão estourou no Brasil há cerca de quatro anos e é um dos mais famosos escândalos de corrupção no país, em que parlamentares foram acusados de receber dinheiro público em troca de apoio político ao governo Lula.

Entre as acusações envolvendo deputados, senadores e até ministros, em um total de 40 incriminados (atualmente são 39), há casos de desvio de dinheiro público, crimes de responsabilidade e contra o sistema financeiro nacional e fraudes em concursos públicos.

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