Cidade da Praia, 6 nov (Lusa) - A comunidade internacional respondeu ao apelo do governo de Cabo Verde para apoiar o país na luta contra a epidemia de dengue, afirmou nesta sexta-feira o chefe da diplomacia cabo-verdiana, José Brito.
Paralelamente à campanha nacional para erradicar os focos do mosquito Aedes aegypti, o ministro das Relações Exteriores cabo-verdiano afirmou que a Comunidade Internacional prestou solidariedade ao arquipélago nesta luta sem tréguas ao vetor da dengue.
"O apelo nacional foi atendido, e nos próximos dias estará a chegar ao país medicamentos, equipamentos e meios humanos para ajudar na campanha iniciada hoje (sexta) e que se prolonga no fim-de-semana e nos próximos dias", explicou.
A representante residente das Nações Unidas em Cabo Verde, Petra Lanz, assegurou que a organização vai responder com urgência ao apelo das autoridades cabo-verdianas.
"Estamos preparados para dar apoio em termos de medicamentos e equipamento, entre outros. No domingo deverá começar a chegar ao país a primeira remessa dos donativos enviados pela comunidade internacional", disse.
A população cabo-verdiana dedicou esta sexta-feira à campanha de limpeza, onde diplomatas, organizações civis e estatais e população se juntaram para combater a proliferação do Aedes aegypti.
A iniciativa, que partiu do governo, conta com o apoio das diferentes instituições no país, assim como de câmaras municipais e de boa parte da comunidade internacional que mora em Cabo Verde, que se encontra empenhada na luta para evitar o avanço da doença.
Nos diferentes bairros da capital, as pessoas atenderam ao apelo governamental, o que deu origem a uma grande campanha de limpeza na cidade da Praia.
"Estamos aqui a limpar para evitar que os mosquitos nos piquem. Eu limpo minha casa e a rua", disse o presidente do Serviço da Proteção Civil, António Monteiro, em Achada São Filipe.
Segundo ele, o objetivo é conscientizar a população e tornar a ação permanente, o que acaba sendo o meio mais eficaz na luta contra o mosquito.
A campanha, segundo as autoridades sanitárias, é preventiva e "de profundo interesse", para a população que não quer ser pega de surpresa.
Na cidade da Praia, foram montadas oito tendas distribuídas por vários pontos, entre os quais os bairros de Achada Santo António, Terra Branca, Palmarejo, Achada São Filipe, Fonton, Achadinha Baixo e Achada Grande Trás, com materiais de limpeza para apoiar a população na campanha.
Até agora, foram registrados cerca de dez mil casos suspeitos de dengue, com seis mortes.
Apoio internacionalUma equipe de quatro médicos e quatro enfermeiros portugueses parte neste sábado à noite para Cabo Verde, onde vai ajudar as autoridades de saúde locais a enfrentar a epidemia, disse à Agência Lusa uma fonte do Ministério da Saúde.
A decisão de enviar o grupo foi tomada pelos ministérios das Relações Exteriores e da Saúde, em resposta ao apelo feito pelo governo cabo-verdiano na última quinta.
A equipe é formada por especialistas em cuidados intensivos e doenças crônicas e enfermeiros dos hospitais da Universidade de Coimbra, disse à Lusa o coordenador do grupo, João Paulo Almeida e Sousa.
"Sabemos que há um rápido aumento no número de casos de dengue, 8.799 registrados até o dia 5 de novembro", disse o médico, que acrescentou que a equipe levará material clínico "que foi pedido" pelas autoridades cabo-verdianas e que já começa a faltar.
Segundo o coordenador, o grupo deve ficar no país africano de "oito a dez dias", mas os integrantes "poderão ser substituídos" caso haja necessidade de prolongamento da missão.
Alguns dos membros da equipe, que deverá ficar no hospital Agostinho Neto, na cidade da Praia, já têm experiência de trabalho em áreas de catástrofe, acrescentou.
A Assistência Médica Internacional (AMI) também anunciou nesta sexta que prepara uma missão para ajudar os médicos cabo-verdianos a conter a epidemia.