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07/11/2009 - 11h38

Geneticista pede a donos de animais atenção com gripe A

Lisboa, 7 nov (Lusa) - O geneticista português Agostinho Antunes recomendou aos donos de animais domésticos que os coloquem sob quarentena caso suspeitem de que contraíram a gripe A (H1N1), e afirmou que, embora a situação pareça ser rara, é preciso ficar atento.

Esta semana foi detectado o primeiro caso do vírus A(H1N1) em um gato, de 13 anos, que foi tratado na Universidade Estatal de Medicina Veterinária de Iowa, Estados Unidos. O vírus também foi identificado em dois furões.

O veterinário que tratou o gato explicou que duas das três pessoas que conviviam em casa com o bicho apresentavam sintomas de gripe antes de o animal ficar doente.

Agostinho Antunes, um dos cientistas envolvidos na pesquisa que sequenciou o genoma do gato, disse à Agência Lusa que a transmissão do vírus da gripe do homem para o animal "não é um mecanismo usual, mas pode acontecer".

Para o pesquisador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto, a situação é "preocupante e sugere que as pessoas têm de estar alerta a estas situações, principalmente num caso como o do H1N1, que está em alerta elevado".

"No caso do H1N1, não havia, até agora, nenhum caso reportado do aparecimento do vírus em animais domésticos muito próximos do homem, nomeadamente o cão ou o gato", explicou.

Sintomas

O gato apresentava sintomas semelhantes ao da gripe: "Estava um pouco abatido, tinha algumas dificuldades respiratórias, pouca atividade e perdeu o apetite".

Apesar de defender que as pessoas devem estar atentas a estes sintomas nos animais, o pesquisador lembrou que o caso aconteceu num contexto específico, já que ocorreu nos Estados Unidos, onde a influência do H1N1 é diferente da de outros locais. Por outro lado, o gato estava em contato com pessoas doentes, justificou.

O geneticista disse que é preciso evitar que os gatos infectados transmitam o vírus a outros felinos. Para isso, os donos devem evitar que o animal saia de casa se suspeitarem de que está doente.

"Tem de haver um certo cuidado com estas epidemias e não podemos pôr a culpa nos animais", reforçou.

Ele lembrou ainda que estão sempre surgindo novas doenças e que é importante haver condições de higiene e de quarentena para evitar a transmissão de males infecciosos e investigar a evolução dos vírus, "organismos que têm uma capacidade de mutação muito grande e de incorporação de material de diferentes tipos de vírus".

"É assim que eles conseguem, com sucesso, se proliferar de um hospedeiro para outro com uma certa facilidade", explicou o pesquisador à Lusa.

Para Antunes, o caso chama a atenção para os cuidados que deve-se ter com os animais de estimação para que a pandemia não se torne mais perigosa.

"Estamos a entrar numa altura particularmente perigosa para o avanço das gripes e é importante ter cuidado", recomendou.

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