Lisboa, 8 nov (Lusa) - A primeira equipe médica de militares portugueses a serviço da Otan no aeroporto da capital afegã chegou neste domingo a Portugal e fez um balanço "muito positivo" do "excelente" trabalho realizado no âmbito da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf).
Entre lágrimas, abraços e muitos sorrisos, porque o momento era de felicidade, 15 militares puderam, finalmente, rever os familiares que os aguardavam impacientemente na sala de espera do aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa.
Para Cláudia Araújo, mulher do médico mais antigo do grupo, os quatro meses de missão "demoraram muito a passar", mas, graças às novas tecnologias, foram "mais fáceis do que se pensava".
Mas, agora que o marido completou a missão, nem quer pensar na possibilidade de ele ser destacado para outra.
"Acho que morro. Espero que não, porque eles cumpriram o dever que tinham que cumprir e acho que já chega", disse à Agência Lusa.
Alípio Araújo, por sua vez, afirmou que a missão "correu muito bem" e que durante quatro meses foi feito "um excelente trabalho".
"Demos apoio aos militares da Isaf e aos civis afegãos num hospital multinacional, onde a 'elite nation' [comando] era a França, mas também em trabalho com a Alemanha, com os búlgaros e com os americanos", explicou aos jornalistas o primeiro-tenente e médico mais antigo do grupo.
Dificuldades culturaisO alívio de Vera Correia estava estampado no rosto. Porém, ela admitiu que as maiores dificuldades tiveram a ver com a cultura, e não com a segurança.
"Encontrei um lugar seguro. Havia segurança, mas foi um país árabe, com uma cultura completamente diferente da nossa. Não haver água potável era uma coisa ruim, mas acho que toda a gente conseguiu se adaptar bem", disse a primeiro-cabo, que acrescentou que esta foi uma experiência "bastante gratificante" para toda a equipe.
Mais experiente em cenários de guerra, o enfermeiro Fernando Cunha já acumula sua sexta missão. Ele passou duas vezes por Angola, outras duas pelo Líbano, esteve na Bósnia e, agora, no Afeganistão.
Ao contrário das missões anteriores, esta foi a primeira em que esteve incluído em um grupo exclusivamente médico e não em um batalhão de infantaria.
"Foi a primeira vez que estive integrado numa estrutura hospitalar criada para o efeito e tivemos a sorte de estar dentro do aeroporto com uma segurança bastante razoável e não tivemos, graças a Deus, qualquer problema", destacou o sargento.
Os militares estavam em Cabul desde junho e foram substituídos, na semana passada, pelo segundo grupo, que ficará no país até fevereiro.
A terceira equipe de 15 médicos militares irá para o Afeganistão em março, sempre por um período de quatro meses e apoiando o hospital militar do aeroporto de Cabul (Kaia, na sigla em inglês).
A equipe que chegou neste domingo era constituída por dois médicos (um de clínica geral, um de medicina interna), oito enfermeiros, três socorristas, um fisioterapeuta e um técnico de laboratório.