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23/03/2006 - 00h20
Câmara absolve João Magno e Wanderval Santos no caso do "mensalão"
Da Redação
 | | | Wanderval Santos (de óculos) e João Magno durante sessão nesta quarta-feira na Câmara | A Câmara dos Deputados absolveu nesta quarta-feira mais dois deputados acusados de envolvimento no escândalo do "mensalão". Com a absolvição de João Magno (PT-MG) e Wanderval Santos (PL-SP), já são sete os deputados inocentados em plenário --apenas três foram cassados até agora.
Na votação de Wanderval Santos, dos 444 parlamentares presentes, 179 votaram pela absolvição e 242 pela cassação. Houve 3 votos em branco e 20 abstenções. O número mínimo de votos pela cassação --257-- não foi atingido.
O placar da votação de Magno foi mais elástico: 207 votos pela absolvição, 201 pela cassação, 10 abstenções, 5 votos em branco e 3 votos nulos. Votaram 426 parlamentares.
Acusações e defesas Wanderval é acusado de ser destinatário de R$ 150 mil do "valerioduto". O dinheiro foi sacado por um funcionário do seu gabinete das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no Banco Rural. Magno é acusado de ter recebido R$ 426 mil de Valério.
O primeiro a ser julgado nesta quarta foi Wanderval. O relator do processo, Chico Alencar (PSOL-RJ), afirmou que houve abuso de poder e voltou a dizer que Wanderval Santos "terceirizou" o mandato, obedecendo cegamente às ordens do ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-SP), que renunciou ao mandato após as denúncias do "mensalão".
Em seu discurso de defesa, Wanderval afirmou que nunca foi provado seu envolvimento no "valerioduto". Ele declarou que a ex-diretora financeira da SMPB, agência de Marcos Valério, disse, em depoimento na CPI, que desconhecia o nome de Wanderval. "Sofri uma acusação injusta e absurda", disse.
Algumas horas depois, foi a vez de Jairo Carneiro (PFL-BA) acusar Magno. Carneiro afirmou que João Magno reconheceu, em depoimento no Conselho de Étca, o recebimento de R$ 425.915 para quitar despesas de campanha. O relator afirmou que os valores não foram declarados à Justiça Eleitoral como manda a lei e que os depósitos vieram de fontes particulares e foram depositados em contas diversas, inclusive em uma conta particular de João Magno. De acordo com a legislação, os depósitos devem ser feitos em conta específica. Caneiro encerrou a apresentação de seu relatórioafirmando que o parlamentar já foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas pelos crimes eleitorais descritos no parecer aprovado pelo Conselho de Ética.
Magno abriu seu discurso de defesa afirmando que em seu julgamento de seu caso no Conselho de Ética foram usados "dois pesos e duas medidas", comparando seu caso ao do deputado Roberto Brant (PFL-MG), absolvido há duas semanas. O petista afirmou ter a "consciência tranqüila, a saúde boa e a alma naturalmente doída". A exemplo do que já fizeram outros deputados acusados, Magno citou o constrangimento que sua família passou após as denúncias e disse que nunca cogitou a possibilidade de renunciar ao mandato.
Em sua defesa, o deputado afirmou que recebeu os recursos em boa-fé, por orientação da direção nacional do PT. O dinheiro foi utilizado para saldar dívidas de sua campanha a deputado federal, em 2002, e a prefeito do município de Ipatinga (MG), em 2004. A prestação de contas ao TRE de Minas, no entanto, só foi feita em outubro de 2005, depois do escândalo do "mensalão".
Após a defesa de Magno, deputados do PFL tentaram adiar a sessão por baixo quórum. No entanto, a maioria dos presentes rejeitou o adiamento --foram 235 votos contra 77. Na sessão anterior, havia apenas 444 deputados presentes, fato que contribuiu para a absolvição de Wanderval.
Com informações da Agência Câmara

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