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05/04/2006 - 20h44
João Paulo Cunha é absolvido pela Câmara
Da Redação
Em São Paulo
O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) escapou da cassação. A Câmara rejeitou nesta quarta-feira (5/4) o relatório do deputado César Schirmer (PMDB-RS), relator do processo de cassação do petista. Foram 256 votos contra o relatório, que pedia a cassação, e 209 a favor, com 9 abstenções, 2 votos nulos e 7 em branco, num total de 483 deputados votantes.
 | | | João Paulo defende-se do relatório de Schirmer antes da votação no plenário da Câmara | Com o resultado, o processo será arquivado, e o petista mantém seu mandato de deputado federal. São necessários 257 votos favoráveis à cassação para que um deputado perca o mandato.
João Paulo Cunha é o oitavo parlamentar acusado de envolvimento no suposto "mensalão" que escapa de cassação. Antes dele, foram absolvidos João Magno e Professor Luizinho, do PT; Pedro Henry e Sandro Mabel, do PP; Roberto Brant, do PFL; Romeu Queiroz, do PTB, e Wanderval Santos, do PL.
O ex-presidente da Câmara foi acusado de envolvimento com o esquema de Marcos Valério. Sua mulher sacou R$ 50 mil de uma conta da SMPB, empresa de Valério, no Banco Rural, em Brasília. O deputado apresentou versões diferentes para justificar o saque. O relatório de Schirmer também apontou que, sob João Paulo, a Câmara firmou contratos irregulares com a SMPB.
Durante a leitura do relatório, Schirmer enumerou as irregularidades que atribuiu ao petista. O ex-presidente da Câmara usou os 50 minutos de sua defesa para negar que tenha cometido ilegalidades, sem o mesmo detalhamento que o relatório de Schirmer apresentou sobre os fatos.
Schirmer sustentou que os R$ 50 mil sacados pela mulher de João Paulo são apenas uma de várias evidências do envolvimento do petista com a SMPB, agência do empresário Marcos Valério.
O ralator afirmou que João Paulo Cunha encomendou à SMPB pesquisas eleitorais em Osasco, seu reduto eleitoral. O pagamento à agência de Valério teria sido feito pela Câmara.
Em sua defesa, João Paulo Cunha afirmou que os contratos com a SMPB foram legais e ajudaram a melhorar a imagem da Câmara. Além disso, sua defesa foi marcada por citações. Entre os citados por João Paulo, estão Raul Seixas, Padre Antonio Vieira e Aristóteles.
No início de sua defesa, João Paulo citou canção de Raul Seixas ao dizer que buscou coragem na figura paterna. O petista admitiu que cogitou renunciar ao seu mandato de deputado federal. Pouco depois, o petista citou o Padre Antonio Vieira: "A dor faz gritar, mas, se for muito forte, ela silencia", dise o ex-presidente da Câmara.
João Paulo Cunha criticou a atação da imprensa, de quem se disse vítima. "Lutar contra o poder da mídia é uma tarefa ingrata. Terei de carregar para sempre o rótulo de mensaleiro".
O petista usou os filósofos gregos para refletir sobre como foi tratado pela mídia. Disse que Sócrates e Aristóteles também teriam sido vítimas da opinião pública. "A opinião pública nem sempre acerta".

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