O baixo crescimento da economia continuou sendo a marca do governo Lula em 2006. O crescimento é medido pela variação do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas no país). De acordo com os últimos dados disponíveis no IBGE, a
economia no terceiro trimestre em 2006 cresceu
apenas 0,5%. A expectativa do mercado é que o ano termine com menos de 3% de alta.
Mesmo com o desempenho fraco da economia, o trabalhador brasileiro encontrou mais oportunidades no ano, segundo os dados oficiais. A criação de empregos com carteira assinada acumulada até novembro cresceu 5,93% em relação a igual período de 2005, com
abertura de 1.546.179 postos. No entanto, no acumulado de 11 anos, dos quais parte no governo Lula, o
desemprego subiu mais de 50% e a renda caiu 13%.
Bolsa e câmbio
Os investidores tiveram vários momentos de euforia. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) quebrou sucessivos
recordes de pontuação.
O dólar continuou em baixa, sob protesto dos exportadores. O governo até
criou um pacote para tentar conter a queda,
mas não agradou a todos. A moeda terminou 2006 com
perda de 8,13% no ano, a R$ 2,136.
Apesar da reclamação contra o dólar baixo, as exportações ainda apresentaram bons resultados. O saldo da balança comercial (diferença entre importações e exportações) subiu em relação a 2005,
chegando a
US$ 41,074 bilhões entre janeiro e novembro. O
agronegócio bateu recorde, assim como o
comércio de carne. As vendas externas de carros devem
crescer 8% em relação ao ano passado.
Superávit primário
A economia que o governo faz para pagar os juros da dívida (o chamado superávit primário) foi novamente destaque da política econômica. Só nos dez primeiros meses do ano, até outubro, o governo
superou a meta para o ano todo. Em outubro, o superávit havia atingido 5,32% do PIB, enquanto a meta para os 12 meses de 2006 era de 4,25%. O superávit é bom porque ajuda a reduzir a dívida pública, mas tem um lado ruim. As entidades públicas realizam essa economia deixando de gastar, por exemplo, em investimentos em obras e serviços.
A inflação, que preocupa tanto consumidores quanto investidores e empresários, comportou-se bem ao longo do ano. A meta do governo para o IPCA (o índice oficial adotado) era de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. No acumulado de janeiro a novembro,
o indicador avançou 2,65%, metade do registrado em 2005 no mesmo período. O IPCA-15, uma prévia do IPCA, que é a inflação oficial, terminou o ano com
menos de 3%. São Paulo chegou a ter
inflação perto de zero no primeiro semestre.
O controle da inflação foi um dos argumentos para reduzir a taxa de juros. O Banco Central foi promovendo
cortes sucessivos e chegou a dezembro com a Selic (taxa básica de juros) em 13,25% ao ano. Mesmo assim, o país continua
líder em juro real, e o custo do dinheiro para as pessoas físicas
bateu recorde.
Dívidas em atraso
Um dos efeitos dos juros altos pôde ser sentido ao longo de 2006.
A inadimplência das pessoas físicas cresceu 15,3% no primeiro semestre do ano em relação a igual período do ano passado.
Os bancos, por outro lado, tiveram mais um ano de ganhos. O lucro das grandes instituições financeiras
aumentou 132,5% sob o governo Lula.
Em contraste, um setor que enfrentou muitas dificuldades foi o
agrícola. Os agricultores realizaram
séries de protestos em todo o país, e o governo tentou minimizar os prejuízos com um
pacote de R$ 60 bilhões em créditos. Além disso, um programa de
R$ 1 bilhão específico para a soja também foi colocado em prática. Mesmo assim,
os produtores não se convenceram. O ministro da Agricultura
acabou caindo.
No campo internacional, o Mercosul, recebeu um novo associado,
a Venezuela. No ano, o bloco enfrentou críticas. O presidente do Uruguai
ameaçou sair, questionando sua utilidade. O
Peru, que está negociando sua associação ao bloco, já divulgou que passou a ter dúvidas sobre isso. A
imprensa argentina também já questionou se o Mercosul tem futuro.