No ano em que foi registrado o maior acidente aéreo do Brasil, outros desastres resultaram na morte de dezenas de pessoas em várias partes do país. São Paulo abrigou dois dos grandes: além do
choque do avião da TAM contra um prédio da própria empresa –que deixou 199 mortos, superando o acidente da Gol em 2006–, uma cratera abriu-se na estação Pinheiros do metrô no dia 12 de janeiro e marcou a história da rede metroviária.
Antes, porém, na manhã do dia 10 de janeiro, um mar de lama invadiu a cidade de Miraí (MG), após o
rompimento de uma barragem. A mineradora Rio Pomba Cataguases despejou cerca de 2 bilhões de litros de dejetos resultantes da lavagem de bauxita (uma mistura de água e argila) no rio Fubá, afluente do rio Muriaé. Um fato semelhante, envolvendo a mesma mineradora, já tinha acontecido em 2006.
Com o nível do rio elevado devido às chuvas, diversos bairros da cidade foram atingidos pela lama. Não houve mortos, mas cerca de 2.000 pessoas ficaram desabrigadas. Além de prejudicar o fornecimento de água a 100 mil moradores da região, o acidente afetou três cidades de Minas Gerais e alcançou outras quatro cidades do Rio de Janeiro dias depois. Um laudo da Feam (Fundação Estadual do Meio Ambiente) atestou que uma falha na estrutura da barragem provocou o vazamento.
Os
prejuízos totais foram estimados em R$ 64 milhões e o governo mineiro multou a Rio Pomba em R$ 75 milhões. A Defensoria Pública do Estado já conseguiu indenização para 350 famílias.
Dois dias depois, um fato igualmente assustador acometeu São Paulo. Um
buraco de aproximadamente 80 metros surgiu no canteiro de obras da futura estação de metrô Pinheiros, na zona oeste da cidade. Ao todo
sete pessoas morreram: o motorista de um dos caminhões da empresa, quatro ocupantes de um microônibus que passava próximo ao desabamento, uma senhora que andava a pé pela rua e um office-boy, cujo corpo foi localizado apenas duas semanas após o acidente.
Cerca de 200 pessoas que moravam próximo às obras ficaram desalojadas. Das 94 casas interditadas, sete foram demolidas, 14 condenadas, e uma permanece sob análise, segundo a Defesa Civil e a subprefeitura de Pinheiros. O laudo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) a respeito das causas do acidente está programado para sair em fevereiro de 2008. Os acordos de indenização intermediados pela Defensoria Pública do Estado chegam a 61, sendo que 60 foram feitos com proprietários e inquilinos das residências afetadas e apenas um com familiares de uma das vítimas.
O responsável pelas obras, o consórcio Via Amarela (composto pelas construtoras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez) já anunciou que vai inaugurar, em 2009, a nova linha, mesmo sem a estação Pinheiros, cujas obras seguem paralisadas.
Segundo semestre
O Rio de Janeiro também testemunhou em 2007 um acidente no transporte público. No final da tarde do dia 30 de agosto, um
choque de trens em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, deixou oito pessoas mortas e outras 108 feridas. Os veículos do consórcio Supervia, um em teste e o outro com 800 passageiros, chocaram-se na mesma linha, nas proximidades da estação Austin.
O inquérito da polícia, assim como os laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli e da SuperVia, apontaram erro humano. Tanto o maquinista do trem com passageiros quanto o controlador são indicados como responsáveis pela batida. O primeiro por estar em alta velocidade e ter avançado o sinal vermelho, e o segundo por não ter avisado a um dos trens sobre a presença do outro na linha.
Os dois funcionários foram demitidos pela SuperVia e, se condenados, podem pegar até quatro anos de prisão.
Pouco mais de um mês depois, um duplo acidente aconteceu na região de Descanso, no oeste de Santa Catarina. Na noite do dia 9 de outubro um caminhão tentou fazer uma ultrapassagem na BR-282 e colidiu de frente com um ônibus que transportava 45 pessoas. Sete pessoas morreram. Uma hora e meia depois, um caminhão invadiu a área isolada, atingiu dez carros e atropelou policiais, bombeiros e jornalistas envolvidos no salvamento e na cobertura do primeiro acidente. Desta vez, 20 morreram.
Além das
27 vítimas, cerca de 90 pessoas ficaram feridas. O laudo da perícia apontou que o caminhão que causou a segunda colisão estava a 102 km/h, e que apenas 25% dos freios estavam funcionando. Segundo o Ministério Público, mesmo sem a intenção de matar, o motorista assumiu o risco por usar um caminhão com freios em más condições e será indiciado.
Em novembro, um acidente aéreo voltou a acontecer em São Paulo, mas, desta vez, em proporções muito menores se comparado à
tragédia da TAM. Na tarde do domingo, 4, um jatinho
caiu sobre casas na zona norte pouco tempo depois de decolar do Campo de Marte. Oito pessoas morreram: as duas pessoas a bordo e seis pessoas da mesma família, moradoras de uma das casas atingidas na rua Bernardino de Sena.
Segundo a torre de controle, o avião, que pertencia à empresa Reali Táxi Aéreo, fez uma curva à direita quando deveria ter virado para a esquerda. Testemunhas relataram que o jatinho
caiu de bico sobre as residências.
As primeiras indenizações saíram no começo de dezembro. No total foram nove acordos que beneficiaram 12 familiares das vítimas, segundo a Defensoria Pública do Estado. O gravador de voz da cabine foi analisado nos EUA e a investigação da Aeronáutica sobre a queda continua em andamento, sem previsão para conclusão.
Já no final do ano, aconteceram outros dois acidentes marcantes. No dia 25 de novembro, enquanto os mais de 60 mil torcedores do Bahia comemoravam a subida do time para a série B do Campeonato Brasileiro em Salvador, a arquibancada do estádio da Fonte Nova
cedeu. Onze pessoas que estavam no anel superior caíram de uma altura de 20 metros. Sete morreram e 87 ficaram feridas.
Um laudo do DPT (Departamento de Polícia Técnica) divulgado no começo de dezembro mostrou que a estrutura do estádio era incompatível com o número de torcedores. Foram constatadas infiltrações em diversos setores, ferros expostos, aço corroído e pedaços de concreto fora do lugar por falta de aderência. O Estado evita falar em indenização para familiares das vítimas e o governador Jacques Wagner já anunciou que a Fonte Nova será demolida.
Um
relatório apresentado pelo Sinaenco (Sindicato de Arquitetura e Engenharia) já apontava o estádio de Salvador como o pior entre os 29 visitados pelos integrantes da entidade. Segundo a delegada que investiga o caso, o inquérito que apura os responsáveis será concluído até o final do ano.
Considerado o último grande acidente do ano, na madrugada do dia 9 de dezembro, um terremoto de 4,9 pontos na escala Richter atingiu a comunidade rural de Caraíbas, em Itacarambi (ao norte de Belo Horizonte, MG). Uma menina de 5 anos morreu e outras seis pessoas ficaram feridas. Foi o
primeiro registro de morte causada por terremoto no Brasil.
As casas dos cerca de 400 moradores tiveram algum tipo de dano, sendo que seis ficaram totalmente destruídas e 70 danificadas. O governo de Minas Gerais definiu uma
nova área no município de Itacarambi para construir novas moradias às pessoas afetadas.