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Maior tragédia aérea do Brasil deixa 199 mortos

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Bombeiros controlam fogo e revelam destroços do acidente em Congonhas

Tahiane Stochero

Da Redação

17 de julho de 2007, 18h45, aeroporto de Congonhas, São Paulo. O Airbus A-320 da TAM, que fazia o vôo JJ 3054, proveniente de Porto Alegre (RS), não consegue parar ao pousar, atravessa a avenida Washington Luiz e choca-se contra um prédio da TAM Express. A colisão provoca um enorme incêndio e mata 199 pessoas.

Por mais de sete horas de comoção e desespero, cerca de 250 homens do Corpo de Bombeiros trabalharam incessantemente para controlar o incêndio, com 16 ambulâncias e mais dezenas de profissionais do Instituto Médico Legal (IML). As chamas atingiram 20m de altura, e logo de início descartou-se a possibilidade haver de sobreviventes no fogo de mais de 1.000ºC. O prédio da TAM foi totalmente destruído e, nove dias depois, os bombeiros encerraram as buscas nos escombros, tendo retirado 220 sacolas com restos mortais.

Dos 19 funcionários socorridos do prédio da TAM Express, 2 morreram em hospitais. Cinco funcionários do galpão da companhia e três colaboradores estavam entre os 199 mortos. Após ter passado por três cirurgias devido às fraturas no fêmur e cotovelo, o último dos sobreviventes, Valdiney Nascimento Muricy, 33, recebeu alta hospitalar em 5 de setembro. Ele pulou de uma altura de quase 3 metros no momento em que o avião caiu no prédio onde estava.

A enorme proporção do acidente fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formasse um "gabinete de crise", com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Walfrido Mares Guia (então nas Relações Institucionais), Franklin Martins (Comunicação Social) e Waldir Pires (então na Defesa). Uma semana depois, Pires foi substituído por Nelson Jobim.

Nos dias seguintes à tragédia, peritos, consultores, supostos entendidos e a Aeronáutica se revezaram publicamente tentando explicá-la. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), sob a liderança do brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, foi encarregado da investigação, tendo de dar explicações na CPI do Apagão Aéreo, criada no Congresso para apurar a crise aérea brasileira após a onda de atrasos e confusões que se seguiu ao acidente do vôo 1907 da Gol, que se chocou no ar com o jato Legacy e deixou 154 mortos.

O chefe do Cenipa lutou para que não fossem divulgados os dados da caixa-preta, argumentando que as informações, conforme acordos internacionais, devem ser mantidas em sigilo. Contudo, em uma sessão aberta da CPI, o Brasil ouviu os últimos minutos dos pilotos do avião da TAM. As declarações mostram que os pilotos tentaram em vão frear o avião, que vinha a mais de 175 km/h no momento do pouso.

Segundo o Cenipa, a comissão que investiga o acidente do vôo 3054 está bem adiantada nos trabalhos e emitirá as conclusões em relatório final que, após aprovado pelo chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, deve ser divulgado no início de 2008. A investigação segue o rito do Anexo 13 da Convenção de Chicago e é voltada à prevenção de novos acidentes, não emitindo laudo, não apontando causas e não citando o termo "falhas".

Para evitar novos acidentes, a pista principal de Congonhas foi interditada para uso em dias de chuva e passou por uma nova reforma - pouco mais de um mês depois de ter sido remodelada -, recebendo ranhuras que aumentam o coeficiente de atrito da pista. A Anac também determinou mudanças na malha aérea nacional, transferindo vôos de Congonhas para Cumbica e para Viracopos, em Campinas.

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