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Brasileiro se anima e se assusta com as apostas na Bolsa

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Movimento na Bovespa durante a sessão de estréia das ações da BM&F

Armando Pereira Filho

Editor de Economia e Serviços

O mercado acionário foi um dos destaques da economia em 2007, para o bem e para o mal. Continua aumentando o interesse do brasileiro em aplicar seu dinheiro em ações —uma aposta mais arriscada do que os tradicionais investimentos em poupança e renda fixa.

As ações têm chamado a atenção dos aplicadores por causa da queda dos juros (que remuneram as aplicações em renda fixa). Apesar de, em 2007, o Banco Central ter segurado os cortes nos últimos meses, a taxa básica de juros da economia (Selic) está menor do que antes.

Foi um ano de muitos lançamentos de empresas na Bolsa, inclusive da própria Bovespa e da BM&F.

O mercado estava animado, e a Bovespa bateu recordes sucessivos. Foram mais de 40 no ano.

No entanto, os nervos dos investidores foram testados. Primeiro, em fevereiro, com um abalo nas ações da Bolsa chinesa. Depois em julho, com a crise do subprime (financiamentos imobiliários arriscados) nos EUA. Por causa dos problemas, a Bovespa enfrentou quedas fortes.

No câmbio, o dólar atingiu cotações abaixo dos R$ 2, com o real valorizado, apesar da reclamações do exportadores.

Combustíveis
A energia fez o Brasil ir para o noticiário mundial em 2007. A preocupação com o aquecimento global deu grande visibilidade aos biocombustíveis, entre os quais o álcool (etanol) brasileiro se destaca.

O presidente dos EUA, George W. Bush, visitou o país para conhecer a produção. A ONU elogiou a alternativa como proteção ao ambiente global. Mas há controvérsias: técnicos dizem que o etanol não é a solução definitiva e que a produção de biocombustíveis encarece os alimentos.

Na área dos combustíveis tradicionais, a Petrobras anunciou a descoberta do maior campo petrolífero do país, o Tupi, na Bacia de Santos. Ele poderia fazer o Brasil virar um exportador de petróleo, segundo avaliações preliminares. Mas técnicos ponderam que o alto custo da exploração é uma dificuldade grande a superar.

Quanto ao gás da Bolívia, que foi motivo de muita polêmica em 2006, o caso teve desfecho em 2007. Após a nacionalização forçada, a Bolívia comprou as refinarias da Petrobras por US$ 112 milhões. Para analistas, foi um preço razoável.

Novas formas
O ano também marcou algumas alterações. O sistema de cobrança de ligações telefônicas no país mudou. A antiga forma de pulsos foi substituída pela cobrança por minutos.

Outra mudança aconteceu na forma de calcular as riquezas produzidas no país. O IBGE trocou a metodologia do PIB, o que fez crescer o resultado final.

O governo ainda tentou turbinar os resultados reais da economia, lançando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um conjunto de medidas que tenta acelerar as atividades produtivas, por meio principalmente de obras.

Em termos de verbas, o governo terminou o ano com uma derrota importante: a rejeição da prorrogação da CPMF. A contribuição deveria render R$ 40 bilhões aos cofres federais.

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