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Estudantes adotam invasão de reitorias como tática de protesto em 2007

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Ocupação da reitoria da USP por alunos e funcionários durou quase dois meses

Bruno Aragaki

Do UOL Educação

A ocupação de reitorias foi a tática escolhida pelos universitários brasileiros em 2007 para chamar atenção para sua pauta do ano. Autonomia universitária, preço das mensalidades e ampliação de vagas no ensino superior foram algumas das reivindicações.

Basicamente, os atos de protesto tiveram três motivações centrais: os decretos publicados pelo governador paulista no início do ano, o Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades) e questões administrativas em instituições particulares.

Por meio de decretos, o governador paulista, José Serra (PSDB), criou no início de seu mandato a Secretaria de Ensino Superior, à qual estariam subordinadas as universidades públicas.

Para os críticos, a medida feria o princípio da autonomia das universidades públicas. Como forma de protesto, cerca de 300 universitários invadiram, em 3 de maio, o prédio da administração central da USP.

Até a desocupação da reitoria, passaram-se 51 dias, durante os quais houve ordem de reintegração de posse, ameaça de invasão do prédio por parte da tropa de choque da Polícia Militar e ampla cobertura da mídia.

Na seqüência, o país assistiu a uma verdadeira onda de ocupações de reitorias. No mês seguinte, estudantes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Universidade de Campinas), que também seriam afetadas pelos decretos, invadiram reitorias e salas administrativas no interior do Estado de São Paulo.

O descontentamento com o Reuni impulsionou novas manifestações, dessa vez em todo o país.

Bahia, Espírito Santo, Pará, Rio de Janeiro e Santa Catarina também deram lugar a esse tipo de ocupação, uma "radicalização do movimento estudantil", como definiu Lúcia Stumpf, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Stumpf disse que a entidade teve "ampla participação em todas as ocupações do ano", motivo de controvérsia entre as lideranças estudantis.

"Durante a ocupação na USP, a UNE chegou a publicar uma carta aberta contra o ato", diz João Dorta, da Aliança Juventude Revolucionária, grupo com forte atuação na universidade.

Sem articulador central

O fato é que o movimento estudantil no Brasil tem, agora, liderança mais diluída do que se via em décadas anteriores - o que despertou o interesse do sociólogo português Elísio Estanque, no Brasil durante a ocupação da reitoria da USP.

"No caso da invasão da USP, a imprensa, em busca de protagonistas, ficou perdida, pois não havia uma personalidade central. Mas os movimentos de hoje são assim, mais voláteis, numa sociedade marcada pela desfiliação e pela falta de identidade. Não existe o mesmo contorno que havia nas décadas de 60 ou 70", analisa.

Professor da Universidade de Coimbra e estudioso dos movimentos estudantis, Estanque classificou a ação na USP de "surpreendente". "Os universitários do mundo atual inserem-se nos cursos superiores de olho no mercado de trabalho, cada vez menos envolvidos com questões políticas", afirma.

"Do ponto de vista sociológico, as invasões são interessantes por terem feito a sociedade discutir, ainda que por um momento, questões das quais não se falava", diz Estanque.

Avalizada por parte dos estudantes e professores, as invasões também foram alvo de críticas.

"É uma forma de protesto que não me parece a mais eficiente. Dá visibilidade, mas nem sempre atingem os seus propósitos", diz o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

Suplicy foi chamado para intermediar as negociações entre estudantes e reitoria em duas situações neste ano: a da invasão da Fundação Santo André, em setembro, e a da USP, em maio.

Confrontos com a PM

Em algumas situações, a ocupação de manifestantes em prédios de universidades terminou em confronto com a polícia.

Foi o que aconteceu em 13 de setembro quando a Polícia Militar foi à Fundação Santo André, em São Paulo, retirar um grupo de alunos que ocupava a reitoria da instituição havia quatro horas. Eles protestavam contra um suposto aumento de mensalidades.

A PM disse ter tentado negociar a saída pacífica dos estudantes, que não atenderam aos pedidos. Houve tumulto e ao menos um estudante ferido. O comandante da operação foi afastado.

Em agosto, o prédio da Faculdade de Direito da USP, no centro de São Paulo, também foi palco de confronto entre PMs e manifestantes.

Cerca de 250 pessoas, entre estudantes e membros de movimentos sociais, foram retiradas do prédio pela tropa de choque da Polícia Militar, em ação classificada de "calma" pela PM, e de "truculenta", pelos participantes.

Declarados contrários ao "redesenho institucional", programa de mudanças na administração da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), 250 estudantes ocuparam a reitoria em novembro.

Os manifestantes permaneceram cinco dias no local. Saíram depois da chegada da PM.

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