Por Michael Georgy
BAGDÁ (Reuters) - Helicópteros norte-americanos atacaram alvos na segunda-feira em Bagdá em meio à intensificação dos conflitos com militantes xiitas contrários aos planos dos Estados Unidos para o país árabe.
Dois helicópteros Apache atacaram alvos no bairro de Shuala, majoritariamente xiita e localizado no noroeste da capital. Ali, um veículo norte-americano ardia em chamas.
Não havia informações precisas sobre vítimas da ação, a primeira do tipo em Bagdá desde o final da guerra. Segundo um clérigo contrário aos EUA, cinco pessoas foram mortas e 10 ficaram feridas.
O norte-americano encarregado de governar o Iraque, Paul Bremer, prometeu investir contra o clérigo Moqtada Al Sadr, um dia depois de batalhas em Bagdá e em Najaf terem deixado 48 iraquianos, oito soldados dos EUA e um de El Salvador mortos.
Segundo Bremer, Sadr era um fora-da-lei. "Não vamos tolerar isso", afirmou.
Sadr ficou furioso devido à prisão de um de seus assessores, Mustapha Yacoubi, detido no sábado sob a acusação de ter participado do assassinato do clérigo xiita Abdul Majid Al Khoei, no ano passado.
O clérigo desafiou os EUA. "Sou acusado por um dos líderes do mal, Bremer, de ser um fora-da-lei", disse no comunicado lido em uma mesquita de Kufa, perto de Najaf.
"Se isso significa que infringi a lei da tirania norte-americana e sua Constituição suja, tenho orgulho disso", declarou o clérigo de 30 anos.
MAIS VIOLÊNCIA
Em outros episódios violentos, as Forças Armadas dos EUA disseram que um fuzileiro foi morto a oeste da capital na segunda-feira, e um soldado morreu em um atentado com carro-bomba ocorrido na cidade de Kirkuk no domingo. Também no domingo, um outro soldado morreu na explosão de uma bomba em Mosul.
No mesmo dia, um fuzileiro norte-americano não resistiu aos ferimentos sofridos em um ataque ocorrido no dia anterior. No total, 12 militares dos EUA foram mortos em combate nas últimas 24 horas.
Desde o começo da guerra, 422 soldados dos EUA morreram em ação. Milhares de iraquianos também foram mortos.
Na região oeste de Bagdá, insurgentes atacaram estrangeiros que viajavam em um carro civil. Um passageiro, aparentemente um norte-americano, respondeu aos disparos. O carro ficou em chamas, mas ninguém parece ter morrido.
Os conflitos representam o surgimento de mais uma frente de batalha para as forças de ocupação, que já enfrentam os insurgentes sunitas.
Eles também complicam a tarefa do enviado da Organização das Nações Unidas (ONU), Lakhdar Brahimi, que desembarcou em Bagdá no domingo para discutir os planos dos EUA de entregar a soberania do país aos iraquianos no final de junho e de realizar eleições no futuro.
OPOSIÇÃO XIITA
Um oficial das Forças Armadas dos EUA disse que a violência não era um levante xiita generalizado.
Autoridades do Ministério do Interior disseram na segunda-feira que Yacoubi estava sob custódia dos iraquianos e que seria julgado por cumplicidade no assassinato de Al Khoei. O grupo de Sadr negou envolvimento no crime.
Os seguidores do clérigo também exigem a reabertura do jornal Al Hawza, fechado pelas forças de ocupação sob a acusação de que estivesse incitando ataques contra os norte-americanos.
Sadr havia sumido do mundo da política xiita nos últimos meses, período em que se destacou o clérigo aiatolá Ali Al Sistani, contrário à política de transição elaborada pelos EUA.
Mas o Exército Mehdi, de Sadr, sempre disse estar pronto para agir contra os norte-americanos.