RIO DE JANEIRO (Reuters) - O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Anthony Garotinho, pediu nesta terça-feira ao governo federal o apoio de 4 mil homens das Forças Armadas para controlar a violência na capital fluminense.
Desde sexta-feira, dez pessoas morreram em confrontos envolvendo narcotraficantes na Rocinha e no Vidigal. Cerca de 1.200 policiais iniciaram uma operação nas duas favelas na segunda-feira.
Garotinho entregou ao secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa, um documento com uma solicitação formal de ajuda. Os dois se reuniram a pedido do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
"O governo do Estado estima que para esse apoio seja necessária uma quantidade mínima de 4 mil homens a serem selecionados entre os mais qualificados das tropas federais, tais como pára-quedistas, forças especiais e fuzileiros navais", disse Garotinho em entrevista à imprensa após a reunião.
As áreas de atuação dos militares seriam Borel, Complexo do Alemão, Complexo de São Carlos, Dendê, Jacarezinho, Mangueira, Complexo da Maré e Metral. Segundo Garotinho, Rocinha e Vidigal ficariam sob controle da polícia fluminense.
NÃO É O MELHOR CAMINHO
Corrêa disse que pessoalmente é contra a participação das Forcas Armadas porque seus homens não estão treinados para este tipo de operação.
"O Exército só deve ser empregado em última instância e, pessoalmente, sou contra", disse ele na entrevista, acrescentando, no entanto, que vai enviar o documento às autoridades responsáveis --os ministérios da Defesa e da Justiça.
Garotinho disse que também é contra a participação do Exército nestes casos, mas decidiu pedir apoio ao governo federal por determinação da governadora do Estado do Rio, Rosinha Matheus.
Na segunda à noite, Thomaz Bastos prometeu toda a ajuda necessária para enfrentar o problema da violência no Rio, incluindo o uso das Forças Armadas, se a governadora pedisse.
"Também sou pessoalmente contra, mas o governo do Estado não pode fazer uma desfeita ao governo federal ... compreendo que esse não é o melhor caminho", disse Garotinho. "Em 94 e 95 não funcionou, mas a governadora aceita essa ajuda. O governo federal quer colaborar e o Rio não se recusa", afirmou.
Garotinho explicou que esses 4 mil homens atuariam no Rio de Janeiro até o fim do ano, quando seriam substituídos por novos policiais contratados. A Polícia Militar fez um concurso para chamar este mesmo número de homens até dezembro, segundo ele.