SEUL (Reuters) - Muitos norte-coreanos morreram "heroicamente" após a explosão da semana passada ao entrarem nos locais em chamas para salvar os retratos do líder do país, Kim Jong-il, e de seu pai, informou na quarta-feira a imprensa oficial da Coréia do Norte.
Os retratos de Kim e de seu pai, Kim Il-sung, são objetos obrigatórios em todas as casas, escritórios e empresas do país de 23 milhões de habitantes. Todos os adultos devem usar broches na lapela com imagens do pai, do filho ou dos dois.
A explosão de um trem na quinta-feira passada na cidade de Ryongchon, perto da fronteira com a China, matou ao menos 161 pessoas e feriu 1.300, de acordo com organizações internacionais de ajuda. Muitas das vítimas do acidente eram crianças.
Entre os que morreram tentando salvar os retratos estavam trabalhadores e professores, de acordo com a agência de notícias oficial da Coréia do Norte, a KCNA.
"Muitas pessoas do condado retiraram os retratos antes mesmo de procurarem seus familiares ou de salvar seus bens", afirmou a KCNA. A reportagem da agência não pôde ser comprovada.
"A professora Han Jong-suk, 56, deu seu último respiro com os retratos em seu peito", informou a agência. Uma outra professora salvou sete alunos, mas morreu resgatando as fotos.
Kim Jong-il, 62, herdou o poder após a morte de seu pai em 1994. A Coréia do Norte é o único país comunista do mundo onde ocorre sucessão hereditária de poder.
Kim pai foi nomeado "presidente eterno" e os dois Kims são objetos de culto e adoração com uma intensidade que os historiadores dizem ultrapassar a de Stalin na União Soviética e de Mao na China.
(Por Paul Eckert)