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26/05/2004 - 18h50
Diferença entre homem e macaco está em alteração genética sutil

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters) - Alterações genéticas minúsculas, que vão além da combinação entre as quatro letras que formam os genes, representam uma imensa diferença quando se compara o DNA humano ao de chimpanzés, disseram cientistas na quarta-feira, num documento que explica como o homem e o macaco podem estar tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes.

Os chimpanzés são geneticamente 98,5 por cento idênticos aos humanos. Mas os pesquisadores tentam descobrir como variações tão pequenas podem significar uma diferença tão profunda entre as duas espécies.

"As diferenças genômicas entre humanos e chimpanzés são claramente muito mais complicadas que se imaginava", disseram no relatório Asao Fujiyama, do Centro de Ciências Genômicas Riken, de Yokohama, Japão, e seus colegas. O trabalho foi publicado na edição desta semana da revista Nature.

A comparação entre as espécies vai ajudar a compreender doenças, além de contribuir para a comparação entre as sequências genéticas de duas pessoas, ao ajudar a estabelecer uma sequência "base" que possa ser usada para determinar as variações do DNA em humanos.

A equipe de Fujiyama comparou o cromossomo 22 de três chimpanzés com seu correspondente em humanos, o cromossomo 21.

Eles procuraram variações que ajudassem a distinguir a sequência humana da do chimpanzé. Os pesquisadores descobriram que apenas 1,44 por cento do DNA diferia em termos das letras do código genético.

Essas quatro letras, ou bases, A, C, T e G, denominam os nucleotídeos que formam o DNA de todas as criaturas vivas. Eles se combinam para produzir aminoácidos, que por sua vez se unem na forma de genes, os quais controlam as proteínas.

Há longos trechos de DNA que não formam genes, e os cientistas tentam descobrir sua importância. A equipe de Fujiyama encontrou diferenças que podem ser mais significativas que as variações de combinações de letras.

"Há um número significativo (68 mil) de trechos curtos e longos de DNA que foram perdidos ou acrescentados em uma espécie ou na outra", escreveram os pesquisadores.

"Essas diferenças são suficientes para causar alterações na maioria das proteínas: de fato, 83 por cento das 231 sequências de código, incluindo de genes funcionalmente importantes, apresentam diferenças no nível da sequência de aminoácido", acrescentaram.

"Nossos dados sugerem que o fenômeno da inserção ou eliminação de trechos em regiões codificadoras (genes) representa um dos grandes mecanismos para produzir a diversidade proteica e modelar espécies primatas superiores."

Em outras palavras, apesar de os genes e o DNA parecerem o mesmo em chimpanzés e humanos, as proteínas que eles acabam codificando podem ser muito diferentes.

Isso sustenta o que os pesquisadores vêm dizendo recentemente -- que alterações sutis no código genético, que vão bem além dos genes, podem ser extremamente importantes para a biologia.

É provável que não haja mais que 30 mil ou 40 mil genes humanos, mas existem mais de 250 mil proteínas diferentes.

Os pesquisadores tentaram calcular como teria sido o código genético do ancestral único das duas espécies, há 6 ou 7 milhões de anos. Eles deduziram que esse ancestral tinha um genoma maior, e cada espécie o foi selecionando conforme evoluía.

Algumas das diferenças genéticas detectadas pela equipe tem implicações diretas para o estudo de doenças. Foram encontradas diferenças entre os genes do sistema imunológico dos humanos e dos chimpanzés, por exemplo, e moléculas ligadas ao desenvolvimento do cérebro.

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