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04/06/2004 - 23h13
ONU quer criar áreas de proteção para peixes

Por Alister Doyle

OSLO (Reuters) - O mundo deveria ter mais empenho para estabelecer zonas protegidas nos oceanos para preservar as populações de peixes, ameaçadas pela pesca e pela poluição, disse a ONU no sábado (horário local).

"A sociedade não pode mais ver os oceanos do mundo como um depósito de lixo conveniente para os nossos dejetos, ou como uma fonte ilimitada de fartura", disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em uma mensagem a propósito do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho.

"Procurados! Mares e Oceanos: Vivos ou Mortos?", é o slogan da celebração neste ano.

Annan disse que quase 75 por cento dos estoques pesqueiros, inclusive bacalhaus e atuns, são capturados em ritmo mais rápido do que o da sua reprodução. Só o lixo plástico -- como sacos de supermercados -- mata 1 milhão de aves marinhas, 100 mil mamíferos marinhos e um número incontável de peixes por ano.

Defendendo uma ação urgente, Annan lembrou que os governos nacionais decidiram na Cúpula da Terra, realizada em 2002, que iriam tentar restaurar os estoques pesqueiros até 2015 e estabelecer mais áreas de proteção marinhas até 2012.

"Este último objetivo é especialmente importante", escreveu ele. "Menos de meio por cento dos habitats marinhos são protegidos, em comparação com os 11,5 por cento de áreas terrestres em todo o mundo. Estudos mostram que proteger habitats marinhos críticos, como corais de águas quentes e frias, algas e mangues, pode aumentar dramaticamente o tamanho e a qualidade dos peixes."

Mas um especialista disse que alguns ecossistemas estão tão desgastados que sua recuperação seria impossível mesmo com a proibição da pesca.

"É como colocar muita carga em um camelo. Você não espera que ele salte outra vez se você retira a carga que acaba de quebrar suas costas", disse Katherine Richardson, professora da Universidade Aarhus, na Dinamarca, à Reuters.

Quando espécies maiores, como o bacalhau, estão praticamente extintas, espécies menores podem proliferar e engolir um eventual jovem sobrevivente. A população de bacalhaus de Newfoundland, Canadá, nunca conseguiu se recuperar, apesar da proibição da pesca instituída em 1992.

Ativistas de todo o mundo planejam limpar praias, plantar árvores e incentivar as pessoas a adotarem energias renováveis, como a solar e a eólica, nas comemorações do 5 de junho, dia alusivo à data da primeira cúpula ambiental, ocorrida em 1972 em Estocolmo.

Na Grécia, mergulhadores pretendem retirar lixo do fundo do mar nos arredores de Atenas, onde há até carros e geladeiras no leito marinho. Cerca de 300 pessoas devem participar da limpeza da praia de Thoothukudi, na Índia.

Na sexta-feira, o programa Meio Ambiente da ONU disparou o alarme sobre as ameaças aos poucos conhecidos corais de águas frias, que são menos "glamurosos" que seus primos tropicais, mas funcionam igualmente como "jardins-da-infância para peixes".

O Greenpeace também pediu a proibição da pesca de arrastão em alto-mar.

Os eventos programados para sábado incluem exposições no Estabelecimento Britânico de Armas Atômicas -- que controla o arsenal nuclear do país -- para ensinar funcionários a protegerem a natureza no trabalho e em casa.

"Como qualquer outro grande complexo industrial, estamos cientes de que nossas operações têm o potencial de causar dano ao meio ambiente", disse nota da empresa.

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