Por Edmund Blair
BAGDÁ (Reuters) - A explosão de um suposto carro-bomba matou 10 pessoas e feriu 40 na quarta-feira, no primeiro grande ataque guerrilheiro em Bagdá desde que o novo governo interino iraquiano recebeu o poder dos ocupantes liderados pelos Estados Unidos, em 28 de junho.
"Esta é uma agressão pura contra o povo iraquiano", disse o primeiro-ministro Iyad Allawi, ao lado de veículos queimados perto da entrada principal do complexo da "Zona Verde", fortemente vigiada.
"Vamos levar esses criminosos à justiça", prometeu, acrescentando que sete iraquianos civis e três membros da Guarda Nacional foram mortos e 40 pessoas ficaram feridas.
A explosão aconteceu horas depois da divulgação da notícia de que militantes islâmicos liderados por Abu Musab al-Zarqawi mataram um dos dois motoristas de caminhão búlgaros que foram sequestrados no Iraque. Eles prometeram matar o outro dentro de 24 horas se as tropas lideradas pelos EUA não libertarem prisioneiros.
A rede de televisão Al Jazeera disse que não transmitirá as imagens do búlgaro decapitado porque são muito fortes.
Autoridades do governo búlgaro descreveram as notícias da morte como "perturbadoras" e disseram que não divulgarão qual dos dois motoristas, Georgi Lazov, 30, e Ivailo Kepov, 32, foi morto. Eles desapareceram em 27 de junho.
O grupo de Zarqawi, Tawhi e Jihad, já assumiu a responsabilidade pela decapitação de um norte-americano e de um sul-coreano.
As Filipinas estão preparando a retirada antecipada de suas tropas do Iraque para salvar a vida de um refém filipino, mas os militares disseram que precisam receber ordens claras para sair.
"Ele está bem e não há mais risco de execução", disse uma autoridade do Ministério do Exterior em Manila, a respeito das negociações para a libertação do motorista de caminhão Angelo de la Cruz.
Além do filipino, um motorista egípcio também está ameaçado de execução.
DEMOCRACIA E ESTABILIDADE
A explosão em Bagdá aconteceu em uma área movimentada, onde carros param para deixar visitantes na Zona Verde, perto do rio Tigre. A região abriga prédios do governo, as embaixadas dos EUA e da Grã-Bretanha e os escritórios de muitas empresas estrangeiras.
"Às 9h15 desta manhã um veículo passou a linha de inspeção, tentou entrar no ponto de controle e foi detonado", disse uma autoridade dos EUA. "Temos quase certeza que foi um homem-bomba. Ele não saiu do veículo."
Allawi disse que deseja "garantir à comunidade internacional que estamos indo adiante na construção da democracia, paz e estabilidade no Iraque." Ele disse acreditar que o ataque foi uma resposta à repressão a criminosos, em referência às ações policiais que detiveram centenas de suspeitos em Bagdá nesta semana.
A Zona Verde é um dos alvos preferidos de ataques guerrilheiros com foguetes e morteiros. Em maio, um homem-bomba matou o então chefe do Conselho de Governo interino na entrada da região. Os escritórios do governo estavam fechados nesta quarta devido a um feriado público que lembra o golpe militar de 1958, que derrubou a monarquia Hashemita apoiada pelos britânicos.