BELÉM (Reuters) - Equipes da Força Aérea Brasileira localizaram na manhã desta quarta-feira as quatro pessoas que estavam no avião monomotor prefixo PT KGG, desaparecido há um dia na floresta Amazônica no Pará, informou o Salvaero Amazônico em Manaus (AM).
O piloto Rui Anselmo Garcia e três passageiros sobreviveram ao acidente e passaram um dia isolados na floresta em uma área a 90 quilômetros da cidade de Altamira, oeste do Pará.
O local da queda foi identificado com ajuda de uma fogueira feita pelos sobreviventes. A área é de difícil acesso, o que dificultou a localização e o trabalho de resgate.
"A fumaça era bem fraca. A gente localizou com bastante dificuldade porque a mata era fechada. Só conseguimos ver os destroços em um ângulo", explicou o piloto do avião bandeirantes que realizou as buscas, tenente Viol.
O resgate foi feito com ajuda de um helicóptero. Os sobreviventes estão fora de perigo apesar dos ferimentos. O piloto Rui Anselmo sofreu fraturas nas duas pernas.
A aeronave seguia de São Félix do Xingu para Altamira, quando caiu depois de apresentar problemas técnicos. Esta é a segunda vez que Anselmo, de 49 anos, sobrevive à queda de avião.
Em 1999, ele sofreu um acidente com uma aeronave do mesmo modelo. O piloto informou que o avião havia passado recentemente por uma revisão.
"Justamente a hélice que mandei revisar quebrou", disse Anselmo.
Neide Vanqueti, mulher do piloto, afirmou à Reuters que "não acreditava que podia sobreviver" ao acidente. "Cheguei até a me despedir", acrescentou, referindo-se ao último contato feito com a filha através de um telefone celular minutos antes da colisão.
Neide contou que apelou ao marido para abandonar a carreira de piloto. "Mas ele disse que não. Lá mesmo, debaixo das árvores, ele dizia que ia comprar um avião novo", afirmou a sobrevivente.
Na clínica onde foi submetido a exames, Rui confirmou que vai continuar pilotando. "Antes de bater, eu tive uma certeza muito grande que ia dar tudo certo. A gente continua a missão. Não tem essa de parar", disse, por telefone, à Reuters.
(Leonardo Santos, especial para a Reuters)