Por Deborah Zabarenko
WASHINGTON (Reuters) - Uma nova classe de planetas foi encontrada orbitando estrelas próximas ao nosso Sol, em um possível grande avanço na pesquisa de planetas parecidos com a Terra capazes de abrigar vida, afirmaram cientistas na terça-feira.
"Nós não podemos ver planetas como a Terra ainda, mas estamos vendo seus irmãos maiores e esperamos que possamos ver planetas menores em breve", disse Paul Butler, da Carnegie Institution de Washington, co-descobridor de um dos novos planetas.
Os dois planetas são 15 a 20 vezes mais pesados que a Terra, têm aproximadamente a massa de Netuno, e são duas a três vezes maiores que nosso planeta, afirmaram astrônomos em uma entrevista a jornalistas na sede da agência espacial norte-americana, Nasa.
As características tornam estes corpos diferentes da maioria dos exoplanetas descobertos na última década fora de nosso Sistema Solar. Estes planetas, mais de 100 deles, têm geralmente a massa de Júpiter, cerca de 318 vezes a massa da Terra, e devem ser gigantescas esferas gasosas, completamente inóspitas à vida conhecida pelos terráqueos.
Mas os planetas descobertos agora indicam que sistemas planetários ao redor de outras estrelas podem ter as mesmas características do nosso Sistema Solar: grandes corpos gasosos como Júpiter, médios como Netuno e, possivelmente, pequenas pedras como a Terra.
Se os cientistas conseguirem encontrar um planeta com a massa da Terra, eles poderão procurar por um que esteja à distância correta de sua estrela, o que tornaria possível a presença de água em sua superfície, um dos requisitos para a vida.
Ninguém jamais conseguiu ver um planeta extrasolar. A maioria deles foi detectada por oscilações características nas estrelas que orbitam, um sinal de que a gravidade do planeta está puxando a estrela para uma direção específica.
BUSCA ENTRE ESTRELAS
Butler e seu colega caçador de planetas Geoffrey Marcy, da Universidade da Califórnia, descobriram um dos planetas do tamanho de Netuno orbitando a estrela Gliese 436, distante cerca de 30 anos-luz da Terra, na constelação de Leão.
O outro planeta "netuniano" foi descoberto por Barbara McArthur, da Universidade do Texas. Este está na região da estrela 55 Cancri, distante 40 anos-luz da Terra, na constelação de Câncer.
Um ano luz equivale à distância que a luz percorre durante um ano, ou cerca de 10 trilhões de quilômetros.
Ambos os planetas completam uma volta ao redor de suas estrelas em cerca de três dias.
O planeta em 55 Cancri é o quarto detectado na região, mas os outros corpos encontrados são gigantes gasosos, afirmaram os cientistas.
As duas descobertas representam os menores planetas já registrados fora do Sistema Solar e que orbitam estrelas parecidas com o Sol, disseram os astrônomos norte-americanos. Eles lembraram que uma equipe européia de pesquisadores anunciou na semana passada o descobrimento de um planeta com 14 vezes a massa da Terra e que foi chamado de super Terra.
Entretanto, Alan Boss, da Carnegie Institution afirmou que o crédito de tais descobertas é baseado na época em que as pesquisas são encaminhadas para publicação, não quando são anunciadas para a mídia. Sob essa regra, afirmou Boss, a equipe européia teria descoberto o terceiro planeta da classe de Netuno.
Mais informações e imagens podem ser encontradas no endereço: http://www.nasa.gov/vision/universe/newworlds/extrasolar-083104.html.