Por Sue Pleming
WASHINGTON (Reuters) - Diante da alteração do nome de lugares, do encolhimento de mares, de ataques terroristas e do uso cada vez mais disseminado da Internet, o mundo está mudando mais rápido hoje do que em décadas atrás, disse Allen Carroll, o principal cartógrafo da National Geographic.
A National Geographic Society lança neste mês a oitava edição de seu "Atlas do Mundo". Nela, realizou um recorde de 17 mil atualizações e mudanças em relação à última publicação, de cinco anos atrás.
"Esse ritmo de mudanças deve-se principalmente a dois fatores: uma população que ainda cresce em velocidade acelerada e a uma economia cada vez mais globalizada", afirmou Carroll, principal responsável pela elaboração dos mapas da sociedade.
O novo atlas usa as técnicas mais recentes de mapeamento e de obtenção de imagens via satélite, além de apresentar em cada página um endereço de Internet onde os leitores podem encontrar mais informações.
"A meta é fazer com que as pessoas interessem-se pelo mundo e o compreendam melhor. Hoje, há muita atenção para as coisas locais, mas pouca compreensão sobre como o que acontece no mundo afeta as nossas vidas", disse Carroll.
O livro de 416 páginas e 3,2 quilos inclui mapas e gráficos que refletem os desafios enfrentados pelo mundo, tais como o mapa "Conflito e Terror", que mostra o local de recentes atentados terroristas. Outros mapas apresentam o fluxo de refugiados ou os índices de assistência médica e de analfabetismo.
Quando mapearam os ataques terroristas, Carroll disse que, intencionalmente, os editores do livro não indicaram onde a Al Qaeda -- acusada pelos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA -- ou outros grupos mantinham suas bases já que essas organizações estavam sempre mudando de lugar.
FRATURA SOCIAL
Segundo Carroll, mais do que nunca, os mapas políticos e econômicos refletem uma crescente distância entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento.
Um exemplo: o mapa com os cabos de fibra ótica instalados debaixo do oceano mostra uma grande quantidade de cabos ligando os EUA e a Europa, mas apenas um contornando a costa oeste da África.
Um mapa sobre os servidores de Internet apresenta um quadro semelhante. A Europa e pontos da Ásia e da América do Norte destacam-se.
"Isso nos mostra que a África ainda está relativamente isolada tanto econômica quanto tecnologicamente", disse Carroll.
Em seu escritório em Washington, cercado por globos de diferentes tamanhos e por pilhas de mapas, o cartógrafo da National Geographic afirmou ter havido muitos debates sobre o que incluir ou não nos mapas da seção político-econômica.
"Nós nos servimos de várias fontes para garantir que fôssemos o mais objetivos e imparciais possível", disse.
MONTANHAS MAIS ALTAS, MARES MAIS BAIXOS
Timor Leste, o primeiro novo país deste século, aparece no mapa pela primeira vez nesse atlas. Também constam do livro as fronteiras acertadas há pouco tempo entre o Iêmen e a Arábia Saudita e as divisões administrativas da Eslovênia e da República Tcheca.
Outras mudanças notáveis são o fato de o monte Everest, o mais alto da Terra, ter registrado 8.850 metros de altura, 2,1 metros a mais do que os dados anteriores. Isso é resultado de as medições terem ficado mais precisas.
O ponto mais baixo da Terra, o mar Morto, caiu 7,9 metros, para 416 metros, devido à expansão do consumo de água na região, disse Carroll.
O atlas também mostra sinais da degradação ambiental. Um exemplo é a retração do lago Chade, devido a uma seca persistente na região. De outro lado, o mar de Aral viu-se afetado pela retirada de suas águas.
Uma das imagens mais impressionantes são as fotos tiradas por satélites à noite e reunidas para formar um mapa sobre a ocupação humana segundo o brilho das luzes artificiais.
Como era de se esperar, as Costa Leste e Oeste dos EUA, a parte ocidental da Europa e pontos da Índia e do Japão possuem as maiores concentrações de luzes.