Por Philip Pullella
CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O Vaticano elogiou nesta quinta-feira Yasser Arafat, a quem descreveu como um líder carismático envolvido na luta pela independência de seu povo. Também repetiu seu apoio por um Estado palestino soberano, ao lado de Israel.
O papa João Paulo 2o., que se reuniu com Arafat pela última vez em 2001, retirou-se para orar reservadamente ao ouvir a notícia sobre a morte do líder palestino, disseram autoridades da Santa Sé.
Em um comunicado, a Igreja Católica chamou Arafat de um "falecido ilustre" e pediu a Deus que concedesse descanso eterno para a alma dele.
"A Santa Sé une-se ao povo palestino na dor provocada pelo falecimento do presidente Yasser Arafat. Ele era um líder muito carismático, que amava seu povo e que tentou guiá-lo rumo à independência nacional", afirmou a Igreja em um comunicado.
"Que Deus, em Sua misericórdia, receba a alma desse ilustre falecido e que conceda a paz para a Terra Santa com dois Estados independentes e soberanos", disse o principal porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls.
A declaração oficial deve desagradar Israel por não mencionar os ataques de militantes, pelos quais o Estado judaico responsabiliza Arafat.
Nos últimos anos, enquanto Israel e os Estados Unidos tentavam isolar Arafat, a Igreja Católica continuava a ver nele o legítimo líder dos palestinos.
Mas algumas autoridades do Vaticano o criticaram reservadamente.
"Não há dúvida de que ele era uma figura gigantesca para seu povo, mas seu maior erro foi não assinar o tratado de Camp David", disse um prelado da Santa Sé.
Na cúpula realizada em Camp David (EUA), em 2000, palestinos e israelenses chegaram perto de um acordo final no qual se previa a criação de um Estado palestino. Mas as negociações foram interrompidas em meio a diferenças irreconciliáveis a respeito de Jerusalém e da volta dos refugiados palestinos.