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 Internacional

30/12/2004 - 14h41
Tragédia asiática dá ar melancólico a réveillons pelo mundo

Por Philip Blenkinsop

BERLIM (Reuters) - As tradicionais festas de réveillon terão um traço de melancolia no mundo todo. Da Ásia à Europa, muitos países reprogramaram as comemorações pelo Ano Novo, e há apelos para que o dinheiro destinado para as celebrações seja revertido para os milhões atingidos pela série mortal de ondas na Ásia.

"Não podemos ficar ansiosos pelo Ano Novo como fazemos sempre, por causa dessa catástrofe. Estamos horrorizados", disse Franz Seegeroth, de Essen, que estava no oeste da Alemanha. "São emoções contraditórias, mas acho que vai haver mais moderação."

Na Suécia, a cidade de Lulea planeja uma procissão, e outras cidades nórdicas estão fazendo campanhas para abandonar os fogos de artifício e seguir o exemplo.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Joschka Fischer, pediu aos cidadãos da Alemanha que doem parte dos cerca de 100 milhões de euros que normalmente seriam gastos em fogos de artifício, tradicionais no país. Em toda a Europa houve apelos semelhantes.

"Não queremos fazer as pessoas se sentirem mal por comemorar. Elas devem celebrar, mas não seria ruim se elas comprassem um pouco menos de fogos e doassem um pouco mais", disse um porta-voz da Cruz Vermelha alemã na quinta-feira.

Em muitos países asiáticos, as comemorações do Ano Novo foram totalmente canceladas. O luxuoso hotel Hilton Colombo, no Sri Lanka, cancelou seu baile de fim de ano, e o premiê tailandês suspendeu uma festa da qual participariam estrelas do tênis.

Enfeites foram retirados de hotéis e resorts. A Malásia cancelou todas as festividades, e Bangcoc suspendeu as celebrações ao ar livre. O presidente da Índia cancelou o hábito de Ano Novo de receber visitas.

Mais de 120 mil pessoas morreram e milhões estão sob a ameaça de doenças e da fome em decorrência das ondas gigantes deflagradas pelo terremoto de domingo.

Na Europa, as celebrações vão ocorrer, mas elas devem ter um tom mais sóbrio. "Normalmente, nesta época, ficamos ansiosos pelos acontecimentos, pelas esperanças e pelos temores do Ano Novo. Neste momento, porém, nossos pensamentos estão voltados para o que acabou de acontecer na Ásia", disse o premiê britânico, Tony Blair, em sua mensagem de Ano Novo.

Um dos principais jornais da Noruega, o Aftenposten, pediu aos leitores que comemorem com moderação, e a imprensa afirmou que o homem mais rico do país, o bilionário Kjell Inge Rokke, cancelou seu show de fogos de artifício.

No Portão de Brandemburgo, em Berlim, onde um milhão de pessoas costumam se reunir para receber o novo ano, as bandeiras estão a meio-pau. Os organizadores programaram um minuto de silêncio antes da contagem regressiva.

A Alemanha pode ter sofrido seu maior desastre humanitário pós-guerra, embora longe de suas fronteiras. Por enquanto foi confirmada a morte de 33 alemães, mas mais de mil estão desaparecidos. Cerca de 340 pessoas morreram numa enchente em Hamburgo, em 1962.

Os dois maiores jornais da Itália vão doar 0,10 euro a cada edição vendida no Ano Novo.

Em Hong Kong, os organizadores de um grande protesto antigoverno no dia 1o. de janeiro decidiram trocar a manifestação por uma campanha de arrecadação de fundos.

Mas nem todo mundo se deixará contagiar pela sobriedade. A Oktoberfest "restrita" pós-11 de setembro, em 2001, produziu os mesmos bêbados de sempre. Na França, os jornais estão cheios de receitas para o fim do ano.

E, no Rio de Janeiro, a maior festa praiana do mundo será realizada como se nada tivesse acontecido.

"A vida tem de continuar", disse o mecânico alemão Horst Emscher.

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