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 Internacional

07/01/2005 - 21h08
Tropas da ONU continuam cometendo abusos sexuais no Congo

Por Evelyn Leopold

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O abuso sexual de meninas por parte de tropas de paz da ONU na República Democrática do Congo é generalizado e contínuo, apesar das muitas acusações e investigações, disse na sexta-feira o órgão de fiscalização das Nações Unidas.

Em 2004, as tropas de paz foram acusadas de estupros coletivos, assédio sexual e de subornar crianças de 12 ou 13 anos com ovos, leite e alguns poucos dólares para fazer sexo com elas atrás de arbustos ou sob árvores.

O novo relatório do Escritório de Serviços de Supervisão Interna da ONU se concentra na situação de Bunia, região no leste do Congo onde houve intensos combates no começo deste ano.

"Na nossa opinião o problema era e continua sendo disseminado", disse Barbara Dixon, funcionária do escritório que trabalho no relatório, em entrevista coletiva. "Encontramos uma resistência substancial dos comandantes do contingente."

A equipe, uma das várias da ONU que investigam as acusações de abusos sexuais, examinou 72 acusações contra funcionários civis e militares da ONU, o que resultou em 20 relatórios, sendo um deles contra um funcionário civil.

As conclusões corroboram completamente as acusações de abusos em sete casos, em que as meninas identificaram os soldados.

Outras 20 investigações já levaram à repatriação de seis soldados, que podem ser julgados em seus países, segundo fontes da ONU.

"Muitas meninas estão traumatizadas, pela guerra e também pelo abuso", disse Barbara. "O que elas sabiam era que, se queriam comer, essa era uma das formas."

PORNOGRAFIA INFANTIL

Um funcionário francês da ONU, que fez vídeos pornográficos com crianças, foi preso na França sob acusação de estupro. A África do Sul anunciou que vai tomar medidas contra dois soldados. Também foram feitas acusações contra militares de Uruguai, Marrocos, Tunísia e Nepal.

A ONU tem várias regras para que seus funcionários não tirem vantagem das populações locais, especialmente no que diz respeito a relações sexuais com menores de 18 anos.

Há cerca de 11 mil militares patrulhando o Congo. Esse é a maior das 16 operações de paz atualmente em curso no mundo, que envolvem 64 mil soldados.

Vários detalhes do relatório haviam sido divulgados anteriormente. O texto final afirma que a missão da ONU, liderada pelo diplomata norte-americano William Lacy Swing, ainda não implementou "um programa efetivo de prevenção em Bunia".

Mas Swing disse que dispensou dois comandantes de companhias que não conseguiram controlar suas tropas e listou várias medidas tomadas pela ONU, inclusive com programas de apoio às vítimas de abusos.

A ONU tem jurisdição sobre seus funcionários civis, mas as tropas de paz são fornecidas pelos países individualmente. Consequentemente, o órgão mundial tem poder apenas para exigir que um país específico repatrie um soldado acusado para que ele seja punido "em casa".

Acusações de abusos sexuais por parte das tropas de paz não são novidade. Canadá e Itália, por exemplo, revelaram há mais de uma década que seus soldados torturaram somalis.

Mas as notícias sobre esse tipo de caso vêm aumentando na imprensa, e os funcionários da ONU agora falam abertamente sobre o assunto.

Dixon lamentou que algumas pessoas expulsas das missões de paz acabem conseguindo outros cargos na ONU, ao invés de serem colocadas em uma lista negra permanente.

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