HOUSTON (Reuters) - Os programas de educação sexual que pregam a abstinência completa, um dos pilares da política educacional do governo de George W. Bush, não tiveram impacto algum sobre o comportamento dos adolescentes no Estado em que o presidente fez carreira política, o Texas, segundo um novo estudo.
Apesar de assistirem a aulas que enfatizavam a abstinência sexual, os adolescentes de 29 escolas de ensino médio estão cada vez mais sexualmente ativos, seguindo a tendência geral do Estado, segundo a pesquisa feita pela Universidade A&M.
"Não vimos nenhuma forte indicação de que esses programas estejam tendo um impacto na direção desejada", disse Buzz Pruitt, que comandou o estudo, encomendado pelo Departamento de Saúde do Estado.
O governo federal deve gastar cerca de 130 milhões de dólares neste ano com os programas que incentivam a abstinência sexual, apesar das dúvidas sobre sua eficácia, afirmou Pruitt.
"Ainda não se pode concluir nada, mas a maior parte do que descobrimos mostra que não há evidencia de que a grande quantia gasta esteja fazendo efeito", afirmou.
O estudo mostrou que cerca de 23 por cento das meninas do primeiro ano do ensino médio, em geral com 13 ou 14 anos, já haviam perdido a virgindade antes de terem aulas sobre abstinência. Depois do curso, 29 por cento das meninas no mesmo grupo disseram ter feito sexo.
Entre os meninos da segunda série (idade média de 14 ou 15 anos), o aumento foi ainda mais acentuado, de 24 para 39 por cento, depois de serem orientados a evitarem o sexo.
Os programas voltados para a abstinência, que vêm ganhando espaço nas escolas de todo o país, não podem oferecer informação sobre métodos anticoncepcionais e devem destacar os benefícios sociais e sanitários da castidade.
Pruitt disse esperar que a pesquisa provoque mudanças no conteúdo desses programas, "que parecem muito mais voltados para a política do que para a garotada, e precisamos superar isso".
Uma das técnicas usadas nesses cursos é tentar melhorar a auto-estima dos jovens, partindo da premissa de que, mais confiantes em si mesmos, eles não fariam sexo. Esses programas, que às vezes nem mencionam o sexo, não têm efeito concreto, segundo Pruitt, acrescentando que outras propostas, voltadas para normas e expectativas sociais, parecem mais adequadas.