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 Internacional

02/04/2005 - 19h03
Israelenses e palestinos unem-se em louvor ao papa

Por Jeffrey Heller

JERUSALÉM (Reuters) - Israelenses e palestinos uniram-se no sábado em lamento pela morte do papa João Paulo 2o., cuja peregrinação de paz pela Terra Santa representou um ponto de contraste à violência que atinge a região há anos.

Sinos tocaram na Igreja da Natividade, em Belém, onde os cristãos acreditam que seja o local de nascimento de Jesus Cristo, depois que a notícia da morte do papa chegou.

O ministro de Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, classificou a morte do papa como uma "grande perda para toda a humanidade" e celebrou sua contribuição histórica para a melhoria das relações entre a Igreja Católica e o povo e o Estado judeu.

"Israel e o povo judeu e o mundo inteiro perderam hoje um grande campeão da reconciliação e irmandade entre fés", afirmou o Ministério de Relações Exteriores de Israel em comunicado.

O chanceler palestino, Nasser al-Kidwa, lembrou da "extremamente importante visita do papa João Paulo 2o à Terra Santa, que contribuiu naquela época para a criação de um clima diferente, que aumentou a esperança entre nosso povo."

Aos 79 anos, o papa realizou em março de 2000 uma peregrinação de 7 dias a Israel, terroritórios palestinos e à Jordânia.

Foi uma oportunidade na qual ele encontrou-se com líderes palestinos e israelenses e na qual o pontífice pediu aos rivais para alcançarem uma "paz justa" no Oriente Médio.

Para os israelenses, duas imagens permanecem: a peregrinação do papa a Yad Vashem, memorial de Israel que marca a morte de 6 milhões de judeus mortos no Holocausto. Além disso, os israelenses têm imagens da oração do papa no Muro das Lamentações, onde ele pediu perdão pelos maus tratos dos cristãos para com os judeus durante a história.

De volta ao Vaticano depois da peregrinação, o papa relembrou a visita a um campo de refugiados palestinos próximo de Belém. Na época, o pontífice havia pedido à comunidade internacional para resolver "o doloroso problema".

Seis meses depois, um levante palestino eclodiu, estendendo-se por outros quatro anos de violência e causando a morte de mais de 3.300 palestinos e 970 israelenses.

(Reportagem adicional de Jonathan Saul em Jerusalém, Mohammed Assadi em Ramala)

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