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 Internacional

05/04/2005 - 15h11
Menos enclausurante, conclave terminará com badalar de sinos

Por Jane Barrett

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - Antigamente, os cardeais se trancavam como prisioneiros num local sem água corrente e um banheiro para cada cinco, até escolher um novo papa. Quando finalmente tomavam uma decisão, a anunciavam com fumaça branca.

Mas, quando eles se reunirem este mês para eleger o próximo pontífice, vai ser um conclave diferente. Graças às mudanças feitas pelo papa João Paulo 2o., que morreu no sábado, as instalações serão mais confortáveis, haverá uma equipe de limpeza e os cardeais poderão se movimentar pela Cidade do Vaticano, e até passear pelos jardins.

Quando o novo papa for escolhido, o Vaticano não queimará apenas as cédulas, mas também fará soar os grandes sinos da basílica de São Pedro, para que não haja confusão entre a multidão e a mídia para decidir se a fumaça é branca ou preta. A fumaça preta indica uma votação frustrada, em que ninguém atingiu a maioria necessária.

"Desta vez o isolamento será mais brando", disse o arcebispo Piero Marini, mestre de cerimônias do Vaticano, na terça-feira. "Antes, os cardeais ficavam trancados, com as janelas fechadas, dividindo os banheiros. De certa forma era mais fácil, porque eles estavam todos trancafiados para tomar uma decisão, mas havia muitas dificuldades -- os pobres coitados não podiam sair", disse ele.

As condições espartanas do conclave -- do latim "cum clave" (com chave) -- foram impostas para obrigar os cardeais a tomar uma decisão rápida, evitando a repetição de uma eleição do século 13, que levou 2 anos, 9 meses e 2 dias.

Agora, no século 21, eles vão ficar num hotel dentro do Vaticano, com vista para jardins e para os fundos da basílica. Vão ter de fazer uma curta caminhada até a Capela Sistina para votar, e poderão dar passeios noturnos.

A capela fica dentro dos museus do Vaticano e estará fechada a partir de 7 de abril devido aos preparativos para o conclave, anunciou o Vaticano na terça-feira.

Mas o segredo será rigidamente policiado. Os cardeais não poderão usar telefones, ouvir rádio, ver TV ou falar com qualquer pessoa exceto os outros cardeais. Quem for pego burlando essas normas será sujeito a "punições graves", a serem decididas pelo novo papa.

Se um cardeal for pego tentando subornar os outros para conseguir votos, será excomungado. O mesmo ocorrerá com os faxineiros, cozinheiros e médicos que estejam servindo os cardeais e que dêem qualquer informação para eles ou para outrem.

Só os cardeais com menos de 80 anos -- hoje eles são 117 -- podem votar. O conclave precisa começar entre 17 e 22 de abril, mas a data ainda não está definida.

Depois das duas sessões diárias, os votos são contados. Se ninguém conseguir a maioria necessária, as cédulas são queimadas com um aditivo que deixa a fumaça preta. Um aditivo diferente é usado para deixar a fumaça branca, quando o papa é finalmente eleito.

No conclave de 1978, houve confusão quando algo deu errado no processo e a fumaça saiu cinza. "O ritual vai permanecer o mesmo, mas vamos tentar fazê-lo funcionar melhor do que da última vez", disse Martini. "Os sinos também vão badalar alegremente para que os jornalistas não tenham nenhuma dúvida."

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