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24/05/2005 - 22h01
Brasil perto de vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU

Por Axel Bugge

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva implantou uma política externa ambiciosa desde que chegou ao poder e, agora, está intensificando a campanha para atingir sua principal meta, a de obter uma vaga como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Lula parece ter assegurado apoio suficiente na América Latina para colocar o Brasil, o quinto país mais populoso do mundo, dentro do Conselho de Segurança.

O governo brasileiro selou uma aliança com o Japão, a Alemanha e a Índia a fim de lutar por vagas permanentes dentro do órgão, cuja composição seria alterada em meio a uma reforma da Organização das Nações Unidas.

Mas ao menos 20 países de peso --a maior parte deles rivais dos principais candidatos em suas respectivas regiões-- opõem-se à eleição deles como membros permanentes e defendem a entrada de mais membros temporários, apenas.

Na qualidade de maior potência de sua região --o Brasil representa 45 por cento da economia, das terras e da população da América do Sul--, o país vê-se como o candidato natural para ser o membro permanente do subcontinente dentro do Conselho de Segurança. Vários de seus vizinhos concordam.

"A maioria (da América Latina) dá apoio ao Brasil", disse o analista político João Augusto Castro Neves. "A Argentina e o México possuem uma oposição histórica, que significa algum grau de turbulência, mas que não será suficiente para bloquear o processo."

Ao ser o anfitrião da cúpula entre países árabes e sul-americanos, ocorrida recentemente no Brasil, Lula também mostrou que suas ambições vão muito além da região.

VIAGEM AO JAPÃO

Lula viaja ao Japão nesta semana, onde o apoio que conseguiu à candidatura do Brasil deve gerar otimismo entre os japoneses e outros postulantes ao Conselho de Segurança.

Os quatro países que pleiteiam vagas como membros permanentes no Conselho de Segurança defendem que a Assembléia Geral da ONU vote sobre a questão na metade de junho.

Seriam necessários no mínimo dois terços dos votos, ou o apoio de pelo menos 127 dos 191 países-membro da entidade, para a aprovação do plano.

"Estamos convencidos de que temos dois terços", disse uma importante autoridade do Ministério das Relações Exteriores que pediu para não ser identificada. "Aqueles que têm uma linha dura contra nós, os que vão a público e falam alto, podem ser contados nos dedos."

Analistas e diplomatas do Brasil acreditam que a proposta conta com o apoio de cerca de cem países, atualmente.

Na América Latina, a Colômbia e a Costa Rica, bem como o México e a Argentina, opõem-se à candidatura brasileira. Mas os outros países da região, entre os quais o Chile e a Venezuela, devem dar apoio a Lula.

A fonte do ministério disse estar confiante que quando houver a votação, o Brasil será apoiado por não menos que 30 dos 35 países da América Latina e do Caribe.

E mesmo a oposição do México e da Argentina pode perder força.

"Tradicionalmente, sempre houve duas forças regionais na América Latina --o Brasil e o México", disse Jorge Schiavon, do grupo mexicano de estudo Cide. "O México está se voltando mais para a América do Norte, deixando o caminho livre para a América do Sul, e especialmente para o Brasil, a potência natural da região."

O analista político Rosendo Fraga, da Argentina, diz que a posição do governo argentino é de apoiar a criação de uma vaga permanente no Conselho de Segurança que seria ocupada, de forma rotativa, por México, Brasil e a própria Argentina.

A Argentina defende esse rodízio desde os anos 1980, mas não o faz mais de forma incisiva "pelo simples fato de que o papel de liderança do Brasil na América do Sul veio naturalmente, enquanto o México não tem interesse em desempenhar esse papel".

O Brasil melhorou seu status global com a criação em 2003 do G20, grupo de nações que se opõem aos subsídios agrícolas dos países ricos. Também reforçou sua ação diplomática com a liderança de uma missão de paz da ONU no Haiti.

O órgão da ONU possui atualmente 15 integrantes, cinco dos quais são membros permanentes --EUA, Grã-Bretanha, França, China e Rússia-- e dez não-permanentes, com mandatos de dois anos.

(Reportagem adicional de Mary Milliken, em Buenos Aires, e Frank Jack Daniel, na Cidade do México)

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