|
|  |

13/07/2005 - 13h44
Operação da PF faz busca na Daslu e detém proprietária
Por Guilherme Vieira Prestes e Alice Assunção
SÃO PAULO (Reuters) - Agentes da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal e da Receita Federal fizeram uma busca nesta manhã de quarta-feira na sede da Daslu, maior loja de artigos de luxo do Brasil, em São Paulo, que está sob suspeita de envolvimento em crimes de sonegação fiscal e contrabando, informou polícia.
 | | | Empresária Eliana Tranchesi, uma das donas da Daslu | Quatro pessoas foram detidas e levadas para a sede da PF, no bairro da Lapa, incluindo uma das proprietárias da loja, Eliana Tranchesi, que estava em sua mansão no Morumbi. Também foram detidos seu irmão, que é sócio do empreendimento, e outros dois executivos, informou a assessoria de imprensa do Ministério Público.
Eles são acusados de formação de quadrilha, sonegação fiscal, falsificação de documentos e contrabando.
"A gente só queria dizer que a Daslu vai colaborar", disse à Reuters por telefone a assessora de imprensa da loja, Fabiana Pastore. "Vamos fornecer todas as informações que forem necessárias. (...) Estamos colaborando da melhor forma possível."
Segundo o procurador da República Matheus Baraudi Magnani, que participava da ação na sede da loja na manhã desta quarta-feira, a fraude acontecia há pelo menos 10 meses e a empresa teria deixado de recolher aos cofres da Receita pelo menos 10 milhões de dólares.
Ele descartou qualquer envolvimento nas fraudes da filha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que começou trabalhando na Daslu como uma das vendedoras, conhecidas como "dasluzetes", e hoje é gerente de novos negócios. Magnani também descartou inicialmente qualquer ligação das grifes famosas que vendem seus produtos na loja com o esquema.
Para o procurador, uma das operações fraudulentas acontecia por meio de uma empresa com sede nos Estados Unidos.
Na sede da loja, um prédio de quatro andares e 17 mil metros quadrados localizado junto à Marginal Pinheiros, um dos portões estava tomado pela imprensa, com jornalistas, fotógrafos e redes de televisão.
 | | | Policiais federais fazem operação na sede da Daslu | Por outro portão, os clientes entravam normalmente, conforme contou uma funcionária que não quis ter seu nome revelado. "Tem movimento (de clientes) na loja e ela deve permanecer aberta", disse.
Por volta das 13h, três carros da Polícia Federal deixaram o local após carregá-los com diversos arquivos e computadores tirados de dentro da loja.
Investigação
A assessoria da PF explicou que as investigações começaram há seis meses com a apuração de fraude de importação no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A busca, da qual participam 250 agentes federais, faz parte da "Operação Narciso", que está acontecendo ao mesmo tempo em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, informou a PF em comunicado.
O objetivo da operação é apurar subfaturamento de mercadorias importadas e a consequente sonegação de tributos de importação e de IPI, imposto sobre produtos industrializados.
 | | | Auditores da Receita Federal examinam documentos da Daslu em São Paulo | Além dos quatro mandados de prisão temporária em São Paulo, foram emitidos outros 33 de busca e apreensão nos quatro estados.
Segundo a PF, a suposta quadrilha formada pelos integrantes detidos da Daslu criava empresas no exterior para emissão de faturas comerciais para a compra de produtos. Em seguida, essas faturas eram substituídas no Brasil por outras de menor valor.
A nova sede da Daslu foi inaugurada em 8 de junho e reúne as principais marcas de luxo do mundo, como Chanel, Prada e Armani, além de comercializar outros artigos de alto padrão, como helicópteros, lanchas e carros importados. |  |
|